10 Pesos – 1973 – Argentina e 100.000 Cruzeiros – 1992 - Brasil
- awada
- 7 de mai. de 2021
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Atualizado: 25 de dez. de 2025
Ao vê-la, a ex-primeira-dama americana Eleanor Roosevelt teria exclamado – "Pobre Niagara!"




Muito além de um simples cartão-postal, as 275 quedas d’água das Cataratas do Iguaçu formam o coração pulsante de dois grandes santuários naturais: o Parque Nacional do Iguaçu, no Brasil, e o Parque Nacional Iguazú, na Argentina, países que prestaram uma justa homenagem ao retratá-los nas cédulas acima. Juntos, esses parques protegem cerca de 250 mil hectares de floresta subtropical e foram reconhecidos como Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco, tamanha a sua relevância ecológica e paisagística. As cataratas foram avistadas pela primeira vez em 1541 pelo explorador espanhol Álvar Núñez Cabeza de Vaca. Muito antes disso, porém, já eram conhecidas e reverenciadas pelos povos originários da região. Em tupi-guarani, a expressão y guasu, que deu origem ao nome Iguaçu, significa “grande água” — uma definição simples e precisa para um espetáculo de força e grandiosidade. Em períodos de chuvas intensas, a vazão das Cataratas do Iguaçu pode aumentar até dez vezes, saltando de uma média de 1.500 m³/s para cerca de 11.300 m³/s. O maior fluxo oficialmente registrado ocorreu em 9 de junho de 2014, quando a vazão atingiu 46.300 m³/s. Naquele mesmo dia, o nível do rio continuou a subir mais de 30 centímetros além da capacidade de cálculo do sistema hidrológico, levando especialistas a estimarem um volume real entre 50.000 m³/s e 60.000 m³/s — um testemunho da força indomável da natureza. Mas talvez o aspecto mais fascinante das cataratas esteja em sua origem mítica. Segundo uma antiga lenda tupi-guarani, um deus que habitava as águas do rio Iguaçu pretendia se casar com a bela Naipi. Ela, porém, fugiu com seu amado mortal, Tarobá, e juntos remaram rio acima sob o manto da noite. Tomado pela fúria ao descobrir a fuga, o deus rasgou a terra, cortou o curso do rio e criou as gigantescas quedas d’água. Envolvidos pela violência das águas, os amantes foram separados para sempre: Tarobá transformou-se em uma palmeira à beira do abismo, enquanto Naipi tornou-se uma grande rocha ao pé da cachoeira, eternamente castigada pela correnteza. Assim, Tarobá foi condenado a contemplar sua amada por toda a eternidade, sem jamais poder tocá-la. Hoje, as Cataratas do Iguaçu simbolizam mais do que beleza e poder natural. Elas representam um elo vivo entre Brasil e Argentina, um ecossistema compartilhado que abriga uma biodiversidade extraordinária e presta serviços ambientais essenciais, como a regulação do clima, a proteção das águas e a preservação da vida. Cuidar desse patrimônio comum é reconhecer que a grandeza do Iguaçu não pertence a um só país, mas a toda a humanidade — e às gerações futuras que ainda ouvirão o rugido eterno de suas águas.


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