10 Krooni – 1991 – Estônia
- awada
- 21 de fev. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 13 de nov.
Que fascinante história uma simples árvore pode nos contar!


O retrato acima é de um famoso linguista estoniano chamado Jakob Hurt (1839-1907), também conhecido como o “Rei do Folclore Estoniano”. E a árvore no reverso da cédula faz parte do folclore da Estônia. É o seu carvalho mais antigo, conhecido como "Tamme-lauri". Ele ergue-se no campo estoniano como um velho guardião — um tronco largo, oco em seu coração, mas firme como um pilar de eras. Por séculos, a árvore ouviu o sussurro dos ventos, viu aldeias nascerem e desaparecerem, e carregou em seus ramos o mito do espírito Lauri, o protetor incendiário. Para os camponeses antigos, ele era um lar de forças invisíveis; para os viajantes, um marco de orientação; para os poetas, um símbolo de resistência. Quando a Segunda Grande Guerra varreu a Estônia, trazendo invasores sucessivos, invernos duros e incertezas, o velho carvalho tornou-se mais do que um monumento natural: tornou-se um refúgio. Foi ali, nas fendas profundas do tronco escurecido por raios, que alguns membros dos Irmãos da Floresta — o movimento de resistência que lutava contra as ocupações nazista e posteriormente soviética — encontraram um esconderijo momentâneo e improvável. Eles o chamavam de Lauri Koduke, “a casinha de Lauri”. À noite, quando a lua escorria por entre as folhas, os guerreiros clandestinos aproximavam-se em silêncio. O interior do tronco, parcialmente oco, permitia que dois ou três homens se abrigassem por alguns minutos, escondendo documentos, cartuchos ou rádios de transmissão. Não era um quartel, nem um esconderijo permanente — seria arriscado demais — mas funcionava como um ponto de passagem, um lugar de transição entre a escuridão da floresta e os caminhos vigiados por patrulhas inimigas. Com o fim da guerra e o prolongado período de repressão soviética, essas histórias ficaram guardadas em murmúrios. O carvalho permaneceu. Continuou sendo atingido por raios, continuou perdendo ramos, continuou sendo tratado e restaurado por mãos cuidadosas — mas guardou para si os ecos da resistência. Hoje, quem visita o Tamme-lauri vê apenas uma árvore majestosa, velha e tranquila. Mas, para aqueles que conhecem suas histórias — as reais e as sussurradas — é possível imaginar que, dentro daquele tronco marcado pelo tempo, ainda ressoam passos apressados, respirações contidas e a silenciosa determinação de um povo que nunca deixou de lutar.


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