10 Kronor – 1968 – Suécia 1 Pound – 1948-60 – Grã Bretanha 50 Lire – 1944 – Itália
- awada
- 25 de nov. de 2023
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Atualizado: 28 de mar.
Herdeiras de Minerva: A origem clássica das personificações nacionais.






Emblema nacional é o símbolo oficial de um país. Esse símbolo pode assumir diversas formas — um animal, uma planta, um objeto inanimado ou até mesmo uma figura humana. Neste último caso, temos a chamada personificação nacional: o uso de uma figura — real, idealizada ou mítica — para representar uma nação ou seu povo. No mundo ocidental, algumas das primeiras personificações nacionais foram inspiradas na deusa da sabedoria, das artes e da estratégia militar: Minerva. Equivalente romana de Atena, Minerva era filha de Júpiter (associado ao grego Zeus). Segundo a mitologia romana, após engolir a deusa Métis, Júpiter foi acometido por uma intensa dor de cabeça. Para aliviá-la, pediu a Vulcano que abrisse seu crânio com um machado — de onde surgiu Minerva, já adulta, armada com escudo, lança e armadura. Desde os primórdios da impressão de papel-moeda, alegorias foram amplamente utilizadas pelos emissores. Com o tempo, quando a produção de cédulas passou a ser uma prerrogativa do Estado — e não mais de bancos privados —, figuras femininas alegóricas inspiradas em Minerva/Atena tornaram-se recorrentes na personificação de diversas nações europeias. Foi o caso de Germânia, no Império Alemão; Britannia, na Grã-Bretanha; Helvetia, na Suíça; Svea, na Suécia; Hispania, na Espanha; e Italia Turrita, na Itália. Nas cédulas vistas acima, observamos as personificações de Svea, Britannia e Italia Turrita. Svea, ou Moder Svea (“Mãe Svea”), é a personificação da Suécia. Geralmente representada como uma mulher guerreira imponente, remete diretamente à iconografia de Atena/Minerva. Costuma aparecer acompanhada de um leão, símbolo de força, e usando capacete, evocando soberania, sabedoria e capacidade defensiva. Tornou-se um símbolo recorrente na literatura e na cultura sueca do século XIX, além de figurar em diversas cédulas por mais de 70 anos — como nas de 5 coroas emitidas entre 1890 e 1963 — e reaparecer na emissão comemorativa de 10 coroas de 1968. Britannia, por sua vez, é a personificação da Grã-Bretanha e foi fortemente influenciada pela imagem de Minerva Victrix, associada à vitória. É retratada com armadura, capacete, escudo e, frequentemente, portando um tridente ou uma lança — símbolos de defesa, poder marítimo e autoridade. O nome “Britannia” remonta ao ano 43 d.C., quando o Império Romano iniciou a conquista das ilhas britânicas, estabelecendo a província de Britannia. Mesmo após a retirada romana, o termo sobreviveu e foi revitalizado durante a Renascença Inglesa como expressão de identidade nacional, passando a figurar de forma consistente em moedas e, posteriormente, em cédulas, como símbolo do poder e da unidade imperial britânica. Já Italia Turrita representa a Itália sob a forma de uma jovem que usa uma “coroa mural” — adornada com torres (turrita) — símbolo das cidades-estado históricas da península. Diferentemente de Svea e Britannia, sua presença em cédulas foi mais limitada, destacando-se especialmente na emissão de 1944, à qual pertence o exemplar acima. Em comum, todas essas personificações adotam elementos visuais inspirados em Minerva/Atena para transmitir uma mensagem clara: a de que suas respectivas nações são cultas, sábias, poderosas e justas. Ao combinar atributos militares — como a lança e o capacete — com símbolos de civilização e intelecto, essas figuras sintetizam, de forma alegórica, os ideais que cada país buscava projetar por meio de seu papel-moeda.


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