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10 Dollars – 1988 – Austrália

  • awada
  • 5 de mai. de 2022
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 5 dias

A data que marcou não a chegada de colonizadores, mas de criminosos deportados.


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Esta cédula comemorativa do bicentenário da colonização britânica da Austrália (1788–1988) — a primeira cédula de polímero do mundo — apresenta, simbolicamente, duas faces de uma mesma narrativa. De um lado, os primeiros europeus a se estabelecerem no território; do outro, um jovem aborígene, herdeiro de culturas que ali existiam havia dezenas de milhares de anos. Como tantas vezes ocorre na história, um acontecimento celebrado por uns representou uma tragédia para outros. O oficial britânico James Cook (1728–1779), capitão da Marinha Real, desembarcou na costa leste da ilha-continente em 1770, mapeando-a e reivindicando sua parte oriental para a Coroa. O verdadeiro início da colonização, porém, deu-se dezoito anos depois, quando, em 26 de janeiro de 1788, a chamada First Fleet — onze navios sob o comando do capitão Arthur Phillip — aportou na costa sudeste com cerca de 759 condenados deportados do Reino Unido, destinados a fundar uma colônia penal. Até então, os presos eram enviados para a América do Norte, mas isso se tornou impossível após a independência dos Estados Unidos. No próprio dia do desembarque, Phillip batizou o local de Sydney, em homenagem a Lord Sydney, então Secretário de Estado responsável pela administração colonial. Desde o início, a colônia enfrentou desafios imensos: como um reduzido contingente de fuzileiros poderia controlar centenas de prisioneiros em um território tão vasto quanto desconhecido? Ainda assim, menos de um século depois, a população já ultrapassava 150 mil habitantes, impulsionada por ondas de migração e pelo avanço da fronteira colonial. Para os povos aborígenes, porém, o período foi marcado por violência, expropriação e perda de direitos. Durante mais de dois séculos, suas comunidades foram ignoradas, deslocadas ou submetidas a políticas discriminatórias. O plebiscito de 1967 tornou-se um marco simbólico e legal importante, ao permitir que o governo federal legislasse em favor dos aborígenes e que fossem plenamente incluídos no censo nacional. Apesar dos avanços desde então, as desigualdades permanecem profundas. Em comparação com a população não aborígene, os indígenas australianos ainda apresentam taxas mais altas de encarceramento e desemprego, além de níveis mais baixos de escolaridade e uma expectativa de vida entre 11 e 17 anos menor — reflexos duradouros de um passado que a sociedade australiana ainda busca reparar.

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