10 Apsar – 2024 – Abecásia
- awada
- 7 de nov. de 2024
- 2 min de leitura
Atualizado: 10 de jan.
Estados de facto: Nações que vivem fora do mapa diplomático.


A última linha do endereço postal de qualquer correspondência no mundo indica onde fica nossa casa, do Afeganistão ao Zimbábue. Contudo, para milhares de pessoas essa informação de rodapé pode ser um problema. Os serviços internacionais de correio muitas vezes não reconhecem cartas que têm como origem, por exemplo, lugares como Abecásia, Transnístria ou a República Turca do Chipre do Norte. Em geral, as correspondências enviadas dessas regiões chegam aos seus destinos somente depois de serem redirecionadas por meio de outros países. Abecásia, Transnístria e a República Turca do Chipre do Norte estão entre os poucos territórios no mapa que existem na prática, mas não são amplamente reconhecidos como Estados-nação nem são membros plenos de organizações internacionais. Esses territórios foram formados após conflitos e crises políticas e, apesar de serem autônomos e relativamente estáveis internamente, permanecem à margem do sistema internacional de reconhecimento de Estados. A região separatista da Abecásia, no sul do Cáucaso, fez uma guerra de independência contra a Geórgia logo após o colapso da União Soviética, entre 1992 e 1993, e desde então administra grande parte de seu território de forma independente. Embora declare sua independência desde os anos 1990, só foi formalmente reconhecida pela Rússia em 2008, após a guerra russo-georgiana daquele ano. Além da Rússia, apenas alguns poucos Estados membros da ONU reconhecem a Abecásia como independente — entre eles Venezuela, Nicarágua, Nauru e Síria — e ela também é apoiada por outros territórios parcialmente reconhecidos como a Ossétia do Sul e Transnístria. A maioria da comunidade internacional considera a Abecásia parte da Geórgia. Esse tipo de situação coloca a Abecásia na categoria de Estados “de facto”: territórios com governo, população e administração próprios, mas que operam à margem do sistema que rege as relações internacionais. Apesar disso, o interesse por esses territórios é alto entre colecionadores e entusiastas de “lugares que não existem oficialmente”. No dia a dia, a Abecásia usa majoritariamente o rublo russo como meio de pagamento devido à integração econômica com a Rússia e ao limitado reconhecimento internacional de sua própria moeda. No entanto, desde 2018 o Banco Nacional da República da Abecásia emite moedas e cédulas de apsares — a moeda nacional — principalmente como peças comemorativas ou de interesse numismático. Em 2024 e 2025, novas cédulas comemorativas de 10, 50 e 100 apsares foram lançadas, com imagens que incluem um leopardo caucasiano e outros motivos culturais e naturais. Essas notas têm curso legal dentro da Abecásia, mas seu uso cotidiano é limitado e muitas vezes restrito a colecionadores ou situações específicas.


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