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10/25/50/100/200/500 Libras Sírias – 2025 – Síria

26 de ago.
3 min de leitura

A agricultura como símbolo de uma nova Síria.












Entre as emissões monetárias mais emblemáticas da década de 2020, poucas carregam uma carga simbólica tão profunda quanto a série de seis cédulas emitida pelo Banco Central da Síria em 2025. À primeira vista, o conjunto pode parecer uma simples homenagem à agricultura nacional. Entretanto, uma análise mais cuidadosa revela que cada elemento foi escolhido para representar uma faceta da identidade síria, transformando a coleção em uma verdadeira narrativa sobre a história, a economia e a cultura de um país que buscava reconstruir sua imagem após anos de guerra e instabilidade. Durante décadas, as cédulas sírias destacaram governantes, monumentos oficiais e símbolos do Estado. A nova emissão rompe deliberadamente com essa tradição. Em lugar de retratos políticos, surgem flores, árvores e cultivos que acompanham a civilização síria há milhares de anos. Segundo o governo sírio, o novo desenho representa "uma nova identidade nacional", afastando-se da antiga prática de glorificar indivíduos e privilegiando elementos capazes de representar todo o povo sírio. Essa mudança torna a série particularmente interessante sob a ótica numismática. A escolha dos seis produtos agrícolas tampouco foi aleatória. Cada cultura foi selecionada por sua relevância econômica, social, histórica e ambiental, compondo um retrato da diversidade agrícola síria. A menor denominação, de 10 libras, homenageia a célebre Rosa de Damasco, talvez a flor mais conhecida do Oriente Médio. Cultivada há séculos nos arredores da capital síria, ela é utilizada na fabricação de perfumes, óleos essenciais, cosméticos e produtos medicinais. Seu cultivo ultrapassa o aspecto econômico: tornou-se parte integrante da identidade cultural síria, sendo reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Ao escolhê-la para inaugurar a série, o Banco Central Sírio recorda um dos símbolos mais antigos e universais do país. A cédula de 25 apresenta os frutos da amoreira, árvore intimamente ligada à antiga produção de seda em Damasco e em diversas regiões do país. Durante séculos, suas folhas alimentaram o bicho-da-seda, sustentando uma importante atividade econômica que integrou a Síria às grandes rotas comerciais do Oriente. Além de sua relevância histórica, a amoreira continua sendo valorizada pela qualidade de seus frutos, considerados entre os melhores da região. Na cédula de 50 libras aparecem as laranjas, símbolo dos férteis pomares da costa mediterrânea, especialmente das províncias de Latakia e Tartus. Os citros figuram entre os principais produtos agrícolas sírios, sustentando milhares de famílias e abastecendo tanto o mercado interno quanto as exportações. Para os projetistas da série, as laranjas representam a persistência da agricultura síria mesmo diante das dificuldades climáticas e dos anos de conflito, simbolizando a resiliência do agricultor e a riqueza natural da faixa costeira do país. A cédula de 100 libras destaca o algodão, uma das culturas industriais mais importantes da economia síria. Durante grande parte do século XX, o algodão figurou entre os principais produtos de exportação do país, abastecendo a indústria têxtil nacional e gerando emprego para milhares de agricultores e trabalhadores. Reconhecido internacionalmente pela elevada qualidade de suas fibras, o algodão sírio tornou-se um dos pilares da economia agrícola e da produção manufatureira, justificando plenamente sua presença entre as maiores denominações da série. Na cédula de 200 libras, o destaque é reservado às oliveiras, árvores cultivadas na região desde tempos bíblicos. Mais do que uma atividade econômica, o cultivo da oliva representa uma tradição transmitida entre gerações. A oliveira simboliza paz, continuidade, memória e profundo vínculo entre o povo e sua terra. A produção de azeite continua sendo uma importante fonte de renda para inúmeras comunidades rurais, reforçando seu peso econômico e cultural. Encerrando a série, a cédula de 500 libras homenageia o trigo, talvez o mais significativo de todos os símbolos escolhidos. Localizada no Crescente Fértil, região onde nasceram algumas das primeiras sociedades agrícolas da humanidade, a Síria mantém há milênios uma relação inseparável com esse cereal. Considerado um produto estratégico para a segurança alimentar nacional, o trigo simboliza abundância, estabilidade e sobrevivência. Sua presença na maior denominação da série reflete exatamente essa importância, representando o fundamento histórico sobre o qual se desenvolveu a própria civilização síria. Outro aspecto digno de atenção é a coerência da composição artística da emissão. Embora cada cédula apresente um produto agrícola diferente, todas compartilham a mesma linguagem gráfica, formando um conjunto visualmente harmonioso. Não são peças concebidas isoladamente, mas capítulos de uma única narrativa cujo tema central é a fertilidade da terra síria. Essa unidade estética confere à série um valor especial para os colecionadores, característica normalmente encontrada apenas nas emissões mais cuidadosamente planejadas. Mais do que representar rosas, amoras, laranjas, algodão, oliveiras e trigo, essa série celebra a própria essência da Síria. Cada cédula preserva em papel a memória de paisagens, cultivos e saberes que atravessaram milênios, convertendo uma simples emissão monetária em um verdadeiro manifesto sobre a história, a cultura e a esperança de um país que escolheu reencontrar sua identidade nas raízes de sua própria terra.

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