10.000 Yen – 1958 – Japão
- awada
- 19 de jul.
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Atualizado: 22 de jul.
Shōtoku Taishi, entre o mito e a história: o príncipe sábio transformado em lenda.


A imagem vista acima é de Shōtoku Taishi (574–622), um príncipe japonês considerado uma das figuras mais influentes da história do Japão antigo. Ele desempenhou um papel fundamental na consolidação do Estado japonês e na introdução do budismo como religião e filosofia no país, em contraposição ao xintoísmo tradicional. Além de sua grande influência na política e na religião do Japão, muitas lendas e tradições populares foram associadas ao seu nome ao longo dos séculos, contribuindo para sua mitificação como figura quase sagrada no imaginário japonês. Uma dessas lendas conecta seu nome à figura de Bodhidharma, o monge indiano creditado como fundador do budismo Zen. Bodhidharma teve atividades documentadas apenas na China, sem registros de visita ao arquipélago japonês. Portanto, essa conexão entre os dois é vista como simbólica ou espiritual, ainda que sem base histórica real. A fonte primária dessa lenda está no Nihon Shoki (720 d.C.), que narra o chamado episódio do mendigo faminto, ocorrido no ano 613, quando o príncipe Shōtoku viajava por Nara, antiga capital do Japão. Ao avistar um homem caído, sem forças, à beira da estrada, Shōtoku perguntou seu nome, mas não obteve resposta. Em vez de simplesmente seguir viagem, ofereceu comida, bebida e cobriu-o com seu próprio manto púrpura, dizendo: “Durma em paz.” No dia seguinte, o príncipe enviou um mensageiro ao local, mas o homem já estava morto. Profundamente tocado, Shōtoku ordenou que fosse realizado seu funeral. Concluiu, porém, que aquele não era um homem comum e enviou outro mensageiro para verificar o túmulo. Ao abrirem a sepultura, constataram que o corpo havia desaparecido, restando apenas o manto púrpura do príncipe. Séculos depois, a tradição reinterpretou esse “mendigo” como sendo a encarnação de Bodhidharma, afirmando que este teria visitado o Japão disfarçado e interagido com Shōtoku. A lenda passou a simbolizar que o príncipe era espiritualmente capaz de reconhecer um grande sábio, unindo o Japão ancestral ao budismo Zen e consolidando a imagem de Shōtoku como seu patrono espiritual.


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