top of page

10.000 Marks – 1922 – Alemanha (República de Weimar)

21 de fev. de 2021
2 min de leitura

Atualizado: 13 de out.

Esta cédula não foi emitida na Transilvânia, mas ficou conhecida como a “Cédula do Vampiro".



Depois que a Alemanha assinou o Tratado de Versalhes para encerrar a Primeira Guerra Mundial, em 1919, as reparações de guerra destruíram sua economia. Primeiro, a Alemanha teve que renunciar a um valioso território rico em carvão, conhecido como Saar, que foi colocado sob o controle da Liga das Nações; e a região da Alta Silésia, que foi transferida para a Polônia. Sem esses territórios, uma recuperação econômica alemã tornou-se quase impossível. Depois, a Alemanha foi obrigada a assumir a responsabilidade exclusiva pelos prejuízos da guerra. Por conseguinte, teria que canalizar bilhões de marcos para o restante da Europa, mais especificamente para a França e a Bélgica. Aleijada economicamente pela guerra, a Alemanha simplesmente imprimiu dinheiro para cumprir seus pagamentos, levando sua economia à hiperinflação. Um único marco não comprava praticamente nada, e valores cada vez maiores precisavam ser emitidos. Em 1922, o Reichsbank, o banco do governo, foi forçado a lançar cédulas de 10.000 marcos. Decidiu-se que uma pintura de 1500 do famoso gravador e pintor renascentista alemão Albrecht Dürer (1471-1528), chamada “O Retrato de um Jovem”, aparecesse no seu anverso. No entanto, na sua composição, diz-se que um gravador desconhecido acrescentou uma mensagem política através da imagem sutilmente desenhada de um vampiro encapuzado no pescoço do jovem, como que a sugar o seu sangue, numa clara referência à França e à Bélgica. Não é fácil de se ver, mas inclinar a cédula em 90 graus no sentido anti-horário facilita a visualização. Mesmo depois do “vampiro” ter sido descoberto, diz-se que o Reichsbank se recusou a retirar as cédulas de circulação e até mesmo fez novas emissões. Apesar desta narrativa ser reproduzida por publicações numismáticas, não há comprovação documental conclusiva nem de que o gravador tenha criado deliberadamente a figura para representar a França e Bélgica; nem de que o Reichsbank tenha mantido o desenho com essa intenção política específica. De qualquer forma a economia alemã não melhorou. Quando a cédula de 10.000 marcos foi emitida em janeiro de 1922, comprava-se com ela 110 quilos de carne. No final daquele mesmo ano, apenas 2 quilos. E a espiral inflacionária continuou. Em 1923 já estavam sendo emitidas cédulas de 5.000.000 de marcos. Desta forma, a cédula do "vampiro" acabou por ter sua vida encurtada. É interessante porém como um detalhe gráfico ambíguo pode adquirir um significado político duradouro, especialmente quando associado a uma época de humilhação nacional, crise econômica e ressentimento coletivo.


Realce do suposto vampiro encapuzado no pescoço do jovem
Realce do suposto vampiro encapuzado no pescoço do jovem

bottom of page