500/10.000 Francs – 1974-84/1991 - 500 Francs – 1994 - Estados Centro-Africanos (Camarões)
- awada
- 28 de out. de 2021
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Atualizado: há 2 dias
Camarões: Um país entre a glória nos gramados e as sombras da corrupção.






Exploradores portugueses chegaram ao litoral do atual Camarões no século XV, estabelecendo entrepostos comerciais ligados ao tráfico de escravos destinados ao Novo Mundo. Impressionados pela abundância de crustáceos nas águas locais, batizaram a região de Rio dos Camarões, denominação que acabou dando origem ao nome do país. Em 1884, a área foi transformada em colônia do Império Alemão, passando a ser conhecida como Kamerun. Após a derrota alemã na Primeira Guerra Mundial, tropas da França e do Reino Unido ocuparam o território e, em 1919, dividiram-no entre si. Em 1922, os dois Camarões foram colocados sob mandato da Liga das Nações, mantendo franceses e britânicos como administradores de suas respectivas zonas. A independência veio em etapas. Em 1960, a parte administrada pela França tornou-se a República dos Camarões. No ano seguinte, após um plebiscito supervisionado pela Organização das Nações Unidas, a porção sul do Camarões Britânico decidiu unir-se ao novo Estado, formando uma república presidencialista. Já a parte norte optou por integrar-se à Nigéria, que também havia conquistado sua independência em 1960. Apesar de um histórico relativamente mais estável do que o de muitos países da África Central, condição que permitiu algum desenvolvimento econômico, grande parte da população camaronesa ainda vive na pobreza, sobretudo em áreas rurais, dependendo da agricultura de subsistência. As duas primeiras cédulas apresentadas acima foram emitidas pelo Banco dos Estados da África Central nominalmente para circulação em Camarões, enquanto a terceira não traz o nome do país. O que a identifica como destinada ao território camaronês é a letra “E” gravada no canto superior direito do anverso. O banco emissor atende seis países da região — Camarões, República Centro‑Africana, Chade, Guiné Equatorial, Gabão e República do Congo — que integram a Comunidade Econômica e Monetária da África Central. Criada em 1981 e tornada operacional em 1985, essa união regional busca promover cooperação econômica, estabilidade monetária e desenvolvimento sustentável, com ênfase na melhoria das condições de vida da população. No cenário internacional, Camarões também se tornou conhecido pelo desempenho de sua seleção de futebol e por jogadores que brilharam nos gramados europeus, como Roger Milla que atuou principalmente na França e Samuel Eto’o na Espanha. A equipe conquistou quatro títulos da Copa Africana de Nações, ganhou a medalha de ouro no torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de Verão de 2000 e alcançou um histórico sétimo lugar na Copa do Mundo FIFA de 1990. Entretanto, o país também ganhou notoriedade por problemas persistentes de corrupção. Durante a década de 1990, Camarões chegou a ocupar por duas vezes a posição de país mais corrupto do mundo no índice elaborado pela Transparência Internacional. Nesse contexto, destaca-se a figura do presidente Paul Biya, um dos líderes mais longevos da política contemporânea. No poder desde 1982 — após ter sido primeiro-ministro a partir de 1975 — Biya acumulou mais de quatro décadas à frente do país e, aos 93 anos completados em 2026, continua sendo uma das figuras políticas mais duradouras do mundo moderno e integrando também desta forma a gloriosa seleção africana de ditadores.


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