1 e 10 Yuan – 2019 – China, Rep.Popular
- awada
- 14 de mar. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 25 de dez. de 2025
Mao Tsé-Tung: O homem que unificou a China e dividiu a história.




Nos conturbados anos contemporâneos, em que a China se afastou do modelo econômico idealizado por Mao Tsé-Tung (1893–1976) para se tornar uma singularidade histórica que combina autoritarismo político e capitalismo de Estado, permanece uma questão central para seu povo e para os historiadores: qual será o legado de Mao para a História? Para alguns, ele foi o líder que conseguiu reunificar um país fragmentado por décadas de guerras civis, ocupações estrangeiras e miséria extrema, lançando as bases da China moderna e restaurando sua soberania nacional. Para outros, foi um governante cujas políticas contribuíram para algumas das maiores tragédias humanas do século XX. Estimativas sobre o número de mortes associadas ao seu regime variam amplamente. A historiadora Jung Chang, em Mao – A História Desconhecida, sugere que até 70 milhões de pessoas tenham morrido em consequência direta ou indireta das políticas maoístas — um número que, embora contestado por outros estudiosos, ilustra a dimensão do debate historiográfico em torno de seu governo. A própria liderança chinesa, desde a década de 1970, procurou sintetizar esse dilema ao afirmar que Mao teria “acertado em 70% e errado em 30%”, reconhecendo que seus erros mais graves ocorreram após 1958. Entre eles destaca-se o Grande Salto Adiante, um ambicioso programa de industrialização e coletivização que, ao desorganizar a produção agrícola e sufocar críticas internas, contribuiu para a Grande Fome de 1959–1961, considerada por muitos pesquisadores a mais severa do século XX. Outro episódio decisivo foi a Revolução Cultural (1966–1976), lançada com o objetivo declarado de preservar o espírito revolucionário, mas que resultou em perseguições políticas, violência generalizada e profundas rupturas sociais e culturais. O papel de Mao continuará a ser debatido por gerações de historiadores, dentro e fora da China. Para o povo chinês, contudo, ele permanece uma figura paradoxal: ao mesmo tempo fundador da nação contemporânea e responsável por políticas que causaram sofrimento em escala imensa — um estadista cujos talentos e falhas moldaram decisivamente o destino de seu país.


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