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1 Yuan – 1980 – China, Rep.Popular

  • awada
  • 31 de ago. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 27 de jan.

Não há muralha que resista à determinação do homem! (ditado popular)



Uma das sete maravilhas do mundo moderno, o magnífico cenário retratado nesta cédula é a Grande Muralha da China. Com uma extensão total estimada em cerca de 21 mil quilômetros, considerando muralhas, barreiras naturais e trechos desaparecidos, ela é o maior sistema defensivo já construído no mundo antigo. Sua origem remonta a mais de dois milênios, especialmente ao período da unificação da China sob o imperador Qin Shi Huang, em 221 a.C.. Na realidade, não se tratava inicialmente de uma única muralha contínua, mas de diversos muros regionais erguidos por diferentes Estados chineses no norte do país para conter as incursões de povos nômades das estepes da Eurásia — entre eles, grupos ancestrais frequentemente associados aos hunos, e, séculos depois, os mongóis. Ao longo dos séculos, essas estruturas foram sendo conectadas, reconstruídas e ampliadas por sucessivas dinastias. Grande parte das muralhas mais antigas era feita de terra compactada, madeira e cascalho, razão pela qual hoje subsistem apenas como elevações no terreno. A porção mais bem preservada e visualmente imponente, como a vista na cédula, foi construída sobretudo durante a dinastia Ming (1368–1644), utilizando tijolos e pedra, o que lhe confere uma idade aproximada de 500 a 600 anos. Mais do que um simples muro, a Grande Muralha constituía um sofisticado sistema defensivo integrado, com torres de vigia, quartéis, depósitos de suprimentos, postos de comando e torres de sinalização que permitiam a comunicação rápida por meio de fumaça e fogo. Sua construção exigiu um esforço humano colossal. Milhões de soldados, camponeses recrutados, prisioneiros e animais de carga transportaram enormes quantidades de materiais por terrenos extremos, que iam de desertos áridos a escarpadas cadeias montanhosas. Ferramentas simples — cordas, trenós de madeira, cestos e alavancas — foram usadas para vencer desníveis impressionantes. Apesar de sua aparência maciça, muitos trechos eram estreitos e irregulares: em várias cristas montanhosas, a passagem mal comportava uma pessoa, enquanto em outros pontos sequer existia um caminho contínuo, obrigando tropas e cavalos a se deslocarem pela base da muralha. Paradoxalmente, apesar de sua grandiosidade, a Grande Muralha não foi uma barreira infalível. Povos do norte conseguiram contorná-la ou rompê-la em diferentes ocasiões. Em 1449, os mongóis infligiram uma severa derrota aos Ming ao sul da muralha, e, embora um período de relativa paz entre 1571 e 1644 tenha permitido sua conclusão e reforço, ela acabou ruindo politicamente quando os manchus atravessaram seus portões em 1644, auxiliados pela traição de um general Ming que abriu a passagem no extremo oriental. Ainda assim, o verdadeiro legado da Grande Muralha não reside em seu sucesso militar, mas no que ela simboliza. Erguida ao longo de séculos, em condições extremas e com meios limitados, de um lado ela permanece como um testemunho da determinação humana em enfrentar desafios considerados quase impossíveis para sua execução, e de outro sua determinação em vencer obstáculos “intransponíveis”.

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