1 Som – 1993 – Quirguistão
- awada
- 22 de set. de 2021
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Atualizado: 30 de jan.
Epopeia de Manas: Versos que criaram uma nação.


A estátua equestre retratada nesta cédula, localizada na cidade de Bishkek, capital do Quirguistão, representa Manas, o Nobre, personagem mítico central da identidade cultural quirguiz. A narrativa que o envolve, de data imprecisa, foi transmitida oralmente ao longo de séculos por trovadores conhecidos como manaschis, guardiões da tradição épica do povo quirguiz. Segundo a crença popular, muitos manaschis tornavam-se tais após sonharem com personagens do épico que lhes ordenavam seguir essa vocação; ignorar o chamado poderia resultar em doenças, mutilações ou até mesmo na morte. A epopeia só foi registrada por escrito em 1885 e teve sua primeira versão completa publicada na década de 1920. A partir de então, a Epopeia de Manas consolidou-se como a obra literária mais importante do Quirguistão, sendo considerada por historiadores o poema épico mais longo da história, com cerca de 500 mil versos — aproximadamente vinte vezes mais extenso que a Odisseia, de Homero. Mais do que um herói lendário, Manas simboliza a origem da unidade nacional quirguiz. Ele personifica os valores de coragem, lealdade, liderança e resistência, sendo visto como o fundador mítico do primeiro Estado quirguiz. Sua figura desempenha papel semelhante ao de heróis épicos fundadores em outras culturas, funcionando como elo entre passado, identidade coletiva e soberania nacional. O épico narra principalmente as batalhas travadas pelos quirguizes contra chineses e mongóis, bem como a trajetória de Manas, de seu filho Semetei e de seu neto Seitek. A narrativa tem início com os esforços de Manas, um guerreiro que teria nascido na região de Talas, no noroeste do atual Quirguistão, para unificar as tribos dispersas e criar uma pátria para seu povo. Em Talas existe um mausoléu tradicionalmente associado a Manas. Curiosamente, a inscrição externa do monumento traz o nome de uma mulher; contudo, durante uma reforma realizada em 1969, foi encontrado no interior um esqueleto masculino. Segundo um trecho da própria epopeia, sua esposa Kanykey e o conselheiro Bakai decidiram enterrá-lo sob o nome de outra pessoa, prática comum à época, visando proteger sua tumba da destruição por inimigos que costumavam apagar os vestígios de seus adversários. A influência de Manas permanece viva no Quirguistão contemporâneo. Os 40 raios de sol da bandeira nacional representam as quarenta tribos que, segundo a tradição, Manas reuniu para formar o primeiro Estado quirguiz, reforçando seu papel como símbolo máximo de unidade, resistência e identidade nacional.


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