5 e 10 Shillings e 1 Pound – 1968-69 – Biafra
- awada
- 8 de mar. de 2021
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Atualizado: 22 de mar.
Cédulas de uma nação sitiada: A breve emissão monetária biafrense.






Biafra foi um estado secessionista da África Ocidental que declarou unilateralmente sua independência da Nigéria em maio de 1967. Abrangia a região leste do país e era habitado majoritariamente pela etnia ibo. Após a independência nigeriana do Reino Unido, em 1960, a vida política passou a ser marcada por instabilidade econômica, disputas de poder e crescentes tensões étnicas. No norte, onde predominava a etnia hauçá, difundiu-se um forte ressentimento contra a minoria ibo, percebida como mais próspera e instruída. Em setembro de 1966, esse antagonismo culminou em massacres no norte do país, nos quais cerca de 30.000 ibos foram mortos, enquanto aproximadamente 1.000.000 fugiram como refugiados para o leste. As tentativas de conciliação fracassaram e, em 30 de maio de 1967, o líder da Região Leste, com respaldo de uma assembleia consultiva, proclamou a independência sob o nome de Biafra — referência ao Golfo do Biafra. Entre as primeiras instituições criadas esteve o Banco de Biafra, que em 1968 emitiu suas primeiras cédulas. Produzidas às pressas, essas notas não atendiam aos padrões tradicionais de qualidade: impressas em papel comum à base de celulose, apresentavam fluorescência sob luz ultravioleta, diferentemente do papel-moeda convencional, feito de fibras de algodão e linho e não fluorescente. A primeira emissão incluiu apenas duas denominações — 5 shillings (vista acima) e 1 libra. Diante dessas limitações, em 1969 foi lançada uma segunda e última série, mais elaborada, com cinco denominações: 5 e 10 shillings (vista acima), 1 (vista acima), 5 e 10 libras. Essas cédulas foram impressas em papel não fluorescente, incorporando fibras coloridas de segurança e até uma forma rudimentar de microimpressão ao redor do design central, com a repetição da inscrição “Bank of Biafra” acompanhada do valor facial. Todas traziam como elemento principal um sol nascente ao lado de uma palmeira, símbolo nacional do novo Estado. A origem exata da impressão permanece incerta, embora haja indícios de produção em países como Portugal e Suíça. Desde o início, o governo federal da Nigéria recusou-se a reconhecer a secessão. Na guerra que se seguiu — a Guerra Civil Nigeriana — as forças biafrenses obtiveram vitórias iniciais, mas logo passaram a recuar diante da superioridade militar nigeriana. O território de Biafra foi progressivamente reduzido, até perder acesso ao mar em 1968, o que agravou dramaticamente a situação humanitária. Isolada, a região passou a depender de pontes aéreas para suprimentos, enquanto fome e doenças se espalhavam. As estimativas de mortos variam amplamente, entre 500.000 e 3.000.000 de pessoas. O conflito durou cerca de dois anos e meio, até a rendição de Biafra, em janeiro de 1970. No pós-guerra, o governo nigeriano adotou a política de “reconciliação, reconstrução e reintegração”, buscando evitar novos movimentos separatistas. Oficialmente, não houve punições coletivas contra os ibos, mas, na prática, eles enfrentaram marginalização econômica e política por anos, incluindo a perda de bens e dificuldades para reinserção no sistema financeiro. As tensões entre ibos e hauçás não desapareceram, permanecendo latentes em diversas regiões do país. Ainda assim, ao longo das décadas seguintes, a Nigéria conseguiu preservar sua unidade territorial, embora continue marcada por desafios relacionados à convivência entre suas múltiplas identidades étnicas e regionais.


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