1 Pound – 1956 – Escócia
- awada
- 12 de jul. de 2021
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Atualizado: 17 de jan.
Escócia e Inglaterra: Séculos de uma relação tumultuada evidente até em suas cédulas de banco.


A Escócia, uma das quatro nações que compõem o Reino Unido, sempre manteve uma relação intensa e ambígua de aproximação e conflito com sua grande e dominante vizinha do sul, a Inglaterra. Os outros membros do Reino Unido são Gales e a Irlanda do Norte. Já no século II d.C., os romanos iniciaram a construção da Muralha de Adriano, cujos vestígios ainda hoje podem ser vistos, com o objetivo de marcar o limite setentrional da Britânia romana — uma fronteira que, em linhas gerais, anteciparia a divisão entre os povos que mais tarde seriam conhecidos como ingleses e escoceses. Diante da pressão exercida por invasões escandinavas, os povos dos pictos e escotos uniram-se sob a liderança de Kenneth MacAlpin (810-858), tradicionalmente considerado o primeiro rei dos escoceses. Contudo, disputas sucessórias enfraqueceram o reino, abrindo espaço para a interferência do rei inglês Eduardo I. Convidado inicialmente a arbitrar o conflito, ele acabou reivindicando a suserania sobre a Escócia e invadindo o território em 1296. Esse episódio marcou o início das Guerras de Independência Escocesas, que se estenderam, com avanços e retrocessos, ao longo dos séculos seguintes. Em 1502, a assinatura do Tratado de Paz Perpétua buscou encerrar as recorrentes guerras anglo-escocesas, embora a desconfiança mútua jamais tenha sido completamente dissipada. A união política formal ocorreu apenas em 1707, com o Tratado da União entre Escócia e Inglaterra — já então unida a Gales — dando origem ao Reino da Grã-Bretanha. Apesar de utilizar a libra esterlina como moeda corrente, a Escócia manteve algumas singularidades institucionais. Até hoje, três bancos escoceses conservam o privilégio histórico de emitir cédulas próprias, com desenhos distintos daqueles produzidos no sul da ilha. O Royal Bank of Scotland, emissor da cédula apresentada e também conhecido como “New Bank”, é um desses bancos, tendo sido fundado em Edimburgo em 1727. À época, já existia na cidade o Bank of Scotland, criado 32 anos antes e conhecido como “Old Bank”. A autorização governamental para a criação do “New Bank” esteve ligada à suspeita de que o “Old Bank” simpatizava com a causa jacobita. Os jacobitas — nome derivado de Jacobus, a forma latina de James — protagonizaram diversas insurreições com o objetivo de restaurar Jaime II, deposto em 1688, e posteriormente seus descendentes católicos da Casa de Stuart, nos tronos da Escócia e da Inglaterra, em oposição às dinastias protestantes da Casa de Hanover e, mais tarde, da Casa de Windsor, cujo atual representante é o rei Charles III. Ao longo de mais de um milênio, a relação entre Escócia e Inglaterra foi marcada por guerras, alianças forçadas, disputas dinásticas e acomodações políticas delicadas. Mesmo após a união formal, persistiram diferenças culturais, institucionais e identitárias que moldaram uma convivência muitas vezes tensa, mas profundamente entrelaçada. A história escocesa revela, assim, não apenas resistência e conflito, mas também adaptação e negociação constantes frente a uma vizinhança poderosa — um legado que ainda ecoa nas discussões contemporâneas sobre autonomia, identidade nacional e o futuro do Reino Unido.


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