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1, 5, 10 e 20 Nakfa – 1997 – Eritréia

  • awada
  • 20 de abr. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 16 de mar.

Uma moeda contra o tráfico humano: a reforma monetária da Eritreia em 2015.



A Eritreia é um país localizado no nordeste da África, na região conhecida como Chifre da África. Registros paleontológicos encontrados em seu território, com mais de 1 milhão de anos, indicam uma transição entre o Homo erectus e formas arcaicas de Homo sapiens, além de evidências de antigas rotas de migração costeira. A Eritreia contemporânea é um país multiétnico, com nove grupos étnicos oficialmente reconhecidos — todos representados no anverso das cédulas colocadas em circulação desde a primeira emissão da moeda nacional, em 1997. Após a derrota do exército colonial italiano em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, o território passou a ser administrado pela Administração Militar Britânica até 1952. Naquele ano, a Assembleia Geral das Nações Unidas decidiu que a Eritreia teria autogoverno com um parlamento local, embora os assuntos externos e de defesa fossem conduzidos em uma federação com a Etiópia por um período de dez anos. Entretanto, em 1962 o governo etíope dissolveu o parlamento eritreu e anexou formalmente o território. A partir daí intensificou-se o movimento secessionista iniciado em 1961, dando origem à Guerra da Independência da Eritreia. A independência foi conquistada de facto em 1991 e reconhecida de jure em 1993, após um referendo popular supervisionado pela ONU. O nome da moeda nacional, nakfa, deriva da cidade de Nakfa, local da primeira grande vitória das forças independentistas durante a guerra. Desde a primeira série de cédulas, emitida em 1997, o país manteve essencialmente o mesmo desenho nas emissões posteriores. No início de novembro de 2015, porém, o Banco da Eritreia promoveu uma substituição completa das cédulas em circulação. A medida visava combater a falsificação, reduzir a economia informal e, sobretudo, dificultar o tráfico humano na região. Na época, redes de contrabandistas — especialmente ligadas ao Sudão — recebiam pagamentos em nakfa para transportar migrantes eritreus rumo ao norte da África e à Europa, o que levou a uma grande quantidade da moeda a circular fora do país. O plano de troca foi preparado de forma sigilosa e executado em prazo extremamente curto — apenas seis semanas — para impedir que os traficantes conseguissem repatriar e trocar seus estoques de dinheiro. Em 1º de janeiro de 2016, as cédulas emitidas em 1997, 2004, 2011 e 2012 deixaram de ter curso legal, tornando sem valor grande parte do numerário acumulado no exterior. As novas cédulas mantiveram o desenho original, porém com coloração menos contrastante e com elementos adicionais de segurança. Todas foram impressas com a data de 24 de maio de 2015 — exceto a cédula de 100 nakfa, originalmente emitida em 2011, mas não colocada em circulação naquela ocasião — para diferenciá-las das séries anteriores. Dentro do país, a população recebeu positivamente a reforma monetária. Já indivíduos e organizações envolvidos em atividades ilegais, que haviam acumulado grandes quantidades de dinheiro fora da Eritreia, viram-se subitamente com volumosos estoques de papel sem valor.

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