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1 Monme de Prata – entre 1864 e 1866 – Japão

  • awada
  • 28 de out.
  • 2 min de leitura

Quando o arroz era uma moeda de troca.


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Durante o período Edo (1603–1868), o Japão vivia sob um sistema feudal rigidamente organizado em feudos, e a base da economia era agrícola, especialmente o arroz. O arroz não era apenas alimento, era medida de riqueza, tributo e poder. A renda dos senhores feudais era expressa em koku, a quantidade de arroz suficiente para alimentar uma pessoa por um ano (aprox. 180 litros). Como consequência, o arroz tornou-se o lastro principal das transações financeiras. A partir do século XVII, muitos feudos começaram a emitir seus próprios papéis de crédito, os hansatsu, para suprir a falta de moeda metálica (ouro, prata e cobre), cujo fluxo era controlado pelo xogunato Tokugawa. Entre os vários tipos de hansatsu, destacam-se os chamados “kome-yoshō satsu”,  literalmente “nota do depósito de arroz”. Eles eram emitidos por depósitos autorizados que armazenavam arroz para senhores feudais, templos ou comerciantes, funcionando como uma espécie de banco primitivo. O sistema funcionava da seguinte maneira: Um produtor, comerciante ou funcionário do feudo depositava uma certa quantidade de arroz em um armazém. O armazém emitia um hansatsu representando o valor do arroz depositado, por exemplo “1 monme de prata” ou “3 kan de arroz”. Esse hansatsu podia circular no comércio local como equivalente ao arroz armazenado.  Eles passavam de mão em mão como meio de pagamento, especialmente entre comerciantes, cobradores de impostos e administradores locais. Em regiões com escassez de moeda metálica, eles tornaram-se a principal forma de dinheiro. O portador final podia apresentar o hansatsu ao emissor para receber arroz físico ou o equivalente em prata, dependendo do contrato. O sistema criou um mercado de crédito agrícola de grande dinamismo, essencialmente uma forma de banco rural antes da modernização financeira do Japão. Também refletia a confiança local: cada feudo ou depósito tinha reputação própria, e seus hansatsu circulavam conforme a credibilidade de quem as emitia. Por isso, selos, carimbos e ilustrações (como deuses da fortuna, dragões ou tigres) serviam não só como ornamento, mas também como símbolos de garantia. Com a Restauração Meiji em 1868 e a centralização do poder sob o novo governo imperial, os hansatsu foram gradualmente abolidos. A modernização monetária introduziu o iene e um sistema bancário unificado, encerrando séculos de circulação regional de hansatsus ligados ao arroz. Porém, muitos deles sobreviveram e hoje são documentos históricos valiosos, mostrando a transição entre uma economia agrária feudal e a monetária moderna.

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