1 Lira – 1982 – Chipre
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A origem do vinho (e da embriaguez) segundo a mitologia grego-romana.


A imagem no anverso desta cédula é um fragmento de um mosaico da época do Império Romano, por volta do século III aC., descoberto em 1962 em uma vila romana do Parque Arqueológico de Pafos, no Chipre, em um local chamado “A Casa de Dionísio”. O fragmento retrata a ninfa Acme, com uma grinalda de videira em sua cabeça. Ninfas, no antigo folclore grego, eram seres sobrenaturais associados a outras divindades femininas menores ligadas ao ar, mar, bosques, água ou locais específicos. Diferente dos grandes deuses gregos do Olimpo, as ninfas eram consideradas espíritos divinos que animavam e davam vida à Natureza nos ambientes em que viviam, geralmente retratadas como jovens donzelas bonitas e graciosas. O mosaico completo de onde foi retirado este fragmento retrata a lenda de Ícaro (não confundir com o Ícaro que voou perto do Sol), um ateniense que foi instruído na arte da vinificação pelo deus Dionísio (conhecido como Baco na mitologia romana). Segundo a mitologia grega, Dionísio estava viajando pela Ática — região onde está localizada a cidade de Atenas — quando foi acolhido com extrema hospitalidade por um generoso camponês chamado Ícaro. Como forma de agradecimento pela generosa acolhida, o deus do vinho recompensou o mortal revelando-lhe um segredo divino: a arte da viticultura e da produção do vinho. Dionísio deu a Ícaro mudas de videiras e o instruiu a espalhar a bebida pelo mundo. Orgulhoso de seu novo conhecimento, Ícaro encheu odres de couro com o vinho puro que havia produzido, colocou-os em uma carroça e viajou para compartilhar a bebida com os pastores locais. Os pastores, que nunca tinham bebido nada além de água, adoraram o sabor e beberam copiosamente e sem moderação. No entanto, por ser um vinho muito forte e não diluído, eles rapidamente ficaram completamente embriagados. Ao acordarem com os efeitos da primeira ressaca da história humana — tontura, dor de cabeça e visão dupla —, os pastores acreditaram que tinham sido envenenados por Ícaro. Enfurecidos, os pastores atacaram e assassinaram o camponês, enterrando seu corpo sob uma árvore para esconder o crime. A filha de Ícaro, chamada Erígone, ficou desesperada com o sumiço do pai. Ela só conseguiu encontrar o corpo porque a cadela de estimação da família, Maera, a guiou uivando até o túmulo secreto. Ao ver o pai morto, Erígone foi tomada por uma tristeza tão profunda que se enforcou na própria árvore. A cadela fiel, por sua vez, morreu de desgosto ao lado deles. Ao saber da tragédia de seus protegidos, Dionísio foi tomado pela fúria e pela tristeza. Para homenageá-los e garantir que nunca fossem esquecidos, as almas dos três foram imortalizadas como constelações no céu noturno: Ícaro foi transformado na constelação de Boötes (O Pastor); Erígone foi transformada na constelação de Virgem; e Maera, a cadela fiel, tornou-se a estrela Prócion na constelação do Cão Menor. Assim, sempre que os antigos gregos olhavam para a constelação de O Pastor, eles se lembravam da dádiva divina do vinho e do perigo de seu uso sem moderação.

