1 Lilangeni – 1974 – Suazilândia
- awada
- 11 de abr. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 28 de dez. de 2025
Rei Sobhuza II: Um longo reinado e uma enorme família!


A Suazilândia — atual Reino de Essuatíni, nome adotado oficialmente em 2018 — é um pequeno país da África Austral, sem saída para o mar, que conquistou sua independência do Reino Unido em 1968. Trata-se de uma das raras monarquias ainda existentes no continente africano e, mais especificamente, de uma diarquia, na qual o poder é exercido conjuntamente pelo rei (Ngwenyama) e pela rainha-mãe (Ndlovukati). A sociedade suázi é tradicionalmente patriarcal, organizada em clãs e admite a poligamia como prática cultural reconhecida. O personagem retratado nesta cédula é o Rei Sobhuza II (1899–1982), membro da dinastia Dlamini, cujas origens remontam ao século XV. Sobhuza II ascendeu ao trono com apenas quatro meses de idade, após a morte de seu pai, sendo que sua avó governou o reino como regente até 1921. Considerando o período de regência, seu reinado estendeu-se por 82 anos e 254 dias, o que o tornou o governante africano mais longevo dos tempos modernos. Sobhuza II também se destacou por sua extraordinária fecundidade. Estima-se que tenha tido mais de 70 esposas e cerca de 210 filhos nascidos entre as décadas de 1920 e 1970. Entre eles estava Mswati III (1968–), seu sexagésimo sétimo filho, que o sucedeu no trono. Quando Sobhuza II faleceu, em 1982, acreditava-se que já possuía mais de mil netos, e até hoje o clã Dlamini representa uma parcela significativa da população do país. No verso da cédula, o grupo de princesas retratadas participa do ritual anual conhecido como Incwala, uma das mais importantes cerimônias tradicionais do reino. Esse ritual celebra, entre outros aspectos, a fertilidade, a renovação e a continuidade do povo suázi — um simbolismo que dialoga diretamente com a própria história pessoal do monarca retratado. Apesar desse forte simbolismo ligado à fertilidade e à continuidade da vida, o Essuatíni enfrenta uma grave crise de saúde pública. Com uma população de pouco mais de um milhão de habitantes, o país apresenta uma das mais altas taxas de prevalência do HIV no mundo. Estimativas recentes indicam que cerca de um quarto da população adulta vive com o vírus, um legado de décadas de vulnerabilidade social, pobreza, desigualdade de gênero e acesso tardio a políticas de prevenção e tratamento. Embora avanços significativos tenham sido alcançados nos últimos anos — especialmente na ampliação do acesso a medicamentos antirretrovirais —, o impacto do HIV/Aids ainda pesa profundamente sobre a estrutura social, econômica e demográfica do reino.


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