1 Kyat – 1990 – Mianmar
- awada
- 3 de mar. de 2021
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Atualizado: há 6 dias
Um sutil protesto político em uma cédula de banco!


A Birmânia tornou-se independente do Reino Unido em 1948 e manteve esse nome até 1988, quando a junta militar que assumiu o poder após um golpe de Estado anunciou que o país passaria a se chamar Myanmar. Um dos principais líderes da independência foi o general Aung San (1915–1947), que serviu como primeiro-ministro do governo pré-independência e negociou com o Reino Unido a futura autonomia birmanesa. Alguns meses antes da formalização da independência, porém, Aung San foi assassinado por um rival político, deixando órfã sua filha Aung San Suu Kyi (1945–), então com apenas dois anos de idade. Suu Kyi deixou a Birmânia em 1960, acompanhando a mãe que assumira posto diplomático, e só regressou ao país em 1988 para cuidar dela. Ao voltar, encontrou um Estado profundamente instável: o general Ne Win, que governara o país sob um regime militar desde 1962, havia renunciado, mas o poder continuava nas mãos das Forças Armadas. Inspirada nas ideias de Mahatma Gandhi e Martin Luther King Jr., Suu Kyi rapidamente se tornou o rosto da campanha não violenta por eleições livres e democracia, movimento que a projetou internacionalmente e lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz de 1991. A junta militar reagiu com severidade: colocou Suu Kyi em prisão domiciliar por longos períodos e proibiu qualquer forma de divulgação de sua imagem ou discurso. Segundo relatos recorrentes na época, a cédula de 1 kyat lançada com a imagem de Aung San teria circulado com uma marca d’água que lembrava os traços de Suu Kyi, embora essa história permaneça difícil de verificar por falta de documentação oficial. Durante o curto período em que a cédula ficou em circulação, opositores supostamente a usavam como símbolo clandestino de apoio à líder proibida. Suu Kyi tornou-se uma das mais notórias prisioneiras políticas do mundo, permanecendo sob diversas formas de detenção até 2010, quando finalmente recebeu autorização para circular livremente. A partir de então, integrou a vida política formal, defendendo tanto a democratização gradual quanto a reconciliação nacional. Em fevereiro de 2021, porém, um novo golpe militar derrubou o governo eleito e Suu Kyi foi novamente presa pelos militares que assumiram o poder. Desde então, acumulou uma série de condenações — amplamente consideradas politicamente motivadas — por acusações de fraude eleitoral, corrupção e incitação, entre outras, que somam 27 anos de prisão. Em 2023 e 2024, houve relatos de mudanças nas condições de detenção, incluindo períodos em que foi transferida para prisão domiciliar devido a questões de saúde, embora seu contato com o mundo exterior permaneça extremamente restrito.


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