1 e 2 Dollars – 1975-76 – Belize
- awada
- 6 de out. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 9 de fev.
Fronteiras herdadas: Belize, Guatemala e o legado colonial.




Desde meados do século XIX, existe uma disputa territorial entre Belize — ex-colônia britânica conhecida como Honduras Britânica até sua independência, em 1981 — e sua vizinha Guatemala, que reivindica grande parte do território belizenho. Trata-se de um litígio territorial e marítimo herdado das antigas potências coloniais da região, o Reino Unido e a Espanha. Embora a Espanha tenha sido a primeira potência europeia a reivindicar formalmente a região, os primeiros colonos a se estabelecerem de forma permanente ali foram britânicos, ainda no século XVII. Inicialmente, esses colonos foram considerados invasores ilegais pela Coroa espanhola. Contudo, ao longo do século XVIII, a Espanha acabou por assinar uma série de tratados que reconheciam certos direitos de exploração aos britânicos, especialmente ligados à extração de madeira, embora mantivesse, ao menos formalmente, sua soberania sobre o território. Com a independência da Guatemala da Espanha, em 1821, o novo Estado guatemalteco passou a herdar as antigas reivindicações territoriais espanholas e, desde então, não reconheceu Belize como um território fora de sua jurisdição. Em 1859, entretanto, o Reino Unido persuadiu a Guatemala a assinar um tratado que estabelecia claramente as fronteiras entre ambos os territórios. Posteriormente, a Guatemala alegou que o tratado havia sido violado, retomando assim sua reivindicação histórica. Após décadas de tensões diplomáticas — que em alguns momentos chegaram à beira de um conflito armado —, os governos de Belize e da Guatemala decidiram, em 2019, submeter a questão fronteiriça ao Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), órgão judicial da Organização das Nações Unidas. Ambas as partes comprometeram-se a aceitar o veredicto do tribunal. Em caso de descumprimento, o Conselho de Segurança da ONU possui, em tese, a autoridade para fazer cumprir a decisão, embora tal medida jamais tenha sido necessária desde a criação do tribunal. Considerando que o tratado de 1859 foi ratificado por ambos os países, que a Guatemala nunca exerceu ocupação efetiva sobre qualquer parte do território belizenho e que as fronteiras de Belize são reconhecidas por praticamente todos os Estados independentes do mundo, é altamente provável que a decisão final do TIJ confirme as atuais fronteiras territoriais de Belize. Caso isso ocorra, será encerrada mais uma — entre muitas — disputas territoriais herdadas do período colonial que ainda persistem em diversas regiões do planeta.


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