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1 e 10 Pounds – 1977 – Irlanda do Norte

  • awada
  • 30 de jul. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 20 de jan.

La Girona: Quando o mar venceu a Armada Invencível!



Naufrágios sempre foram comuns nas costas da Irlanda do Norte, em grande parte devido às rochas traiçoeiras que se ocultam sob as ondas. Um dos mais célebres episódios desse tipo foi o do La Girona, navio da famosa Armada Espanhola, retratado nessas duas cédulas nos momentos que antecedem e sucedem sua colisão com a costa irlandesa. A Armada Espanhola — conhecida à época como Armada Invencível — foi uma grande esquadra reunida pelo rei Felipe II em 1588 com o objetivo de invadir a Inglaterra. Composta por cerca de 130 navios, a expedição foi frustrada pelos ingleses no Canal da Mancha, obrigando a frota a regressar à Espanha contornando as ilhas britânicas. Essa retirada revelou-se desastrosa: tempestades violentas destruíram dezenas de embarcações, e uma parcela significativa delas naufragou ao longo da costa irlandesa, entre as quais o La Girona. O navio seguia em direção à Escócia quando, em 26 de outubro de 1588, foi atingido por um forte vendaval e arremessado contra um trecho de rochedos que passaria a ser conhecido como Spanish Rocks (Rochas Espanholas), nas proximidades do castelo medieval de Dunluce. Das cerca de 1.300 pessoas a bordo, apenas nove sobreviveram, resgatadas pelo chefe do clã local. Centenas de corpos foram lançados às praias vizinhas e sepultados em uma vala comum no cemitério de uma igreja da região. Após o desastre, o La Girona e seus segredos permaneceram submersos por quase quatro séculos, até que o naufrágio foi localizado em 1967. A descoberta revelou o maior conjunto de artefatos da Armada Espanhola já resgatado: canhões, moedas de ouro e prata, joias, armamentos e objetos de uso cotidiano do século XVI. O achado gerou uma disputa diplomática entre a Espanha e a Irlanda do Norte quanto à posse do acervo, mas, ao final, os artefatos foram incorporados às coleções do Museu do Ulster, em Belfast, onde permanecem preservados e expostos ao público. Hoje, o local do naufrágio é protegido por lei, sob a Lei de Proteção de Naufrágios, e o acesso é restrito a mergulhadores autorizados — garantindo que o La Girona, depois de séculos de silêncio, continue a contar sua história por tanto tempo escondida.

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