1 Dollar – 2020 – Trindade e Tobago
- awada
- 26 de dez. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 29 de jan.
Protegendo o vermelho da nação: A preservação do íbis-escarlate.


Quando Trinidad e Tobago, um pequeno grupo de ilhas situado na confluência do Mar do Caribe com o Oceano Atlântico, declarou sua independência da Grã-Bretanha em 1962, o íbis-escarlate (Eudocimus ruber) foi escolhido como uma de suas aves nacionais. Juntamente com a outra ave nacional — a chachalaca (Ortalis ruficauda) —, ocupa lugar de destaque no brasão de armas do país e também está retratado nas cédulas de 1 dólar, como na vista acima. O íbis-escarlate é igualmente uma importante atração turística e fonte de renda, especialmente em seu principal criadouro, o Pântano Caroni, localizado a apenas 16 quilômetros de Port of Spain, a capital de Trinidad e Tobago. No passado, porém, a espécie foi alvo de caçadores interessados tanto em sua carne quanto em suas vistosas penas vermelhas, tradicionalmente usadas para adornar fantasias do carnaval anual das ilhas. Em razão disso, sua caça foi proibida por lei. Apesar da legislação, o íbis-escarlate continuou a ser perseguido por caçadores furtivos, o que levou o governo a incluí-lo na lista de espécies ambientalmente sensíveis. Como resultado, sua caça passou a ser punida com até dois anos de prisão e multa de até 100 mil dólares de Trinidad (cerca de US$ 15.000). As sanções, contudo, não se limitam ao abate da ave: qualquer interferência, bem como a posse de sua carcaça ou de partes dela, também está sujeita a penalidades severas. Por exemplo, uma pessoa encontrada em posse de cinco penas do íbis pode ser multada em até 500 mil dólares de Trinidad. O aspecto mais preocupante é que a caça furtiva do íbis-escarlate não parece estar associada à necessidade econômica, mas sim à crença de que sua carne teria propriedades afrodisíacas, além do prestígio social atribuído à sua oferta em festas. Diante desse cenário, a decisão do governo de Trinidad e Tobago de classificar a ave como ambientalmente sensível e impor punições rigorosas foi considerada uma medida extrema, porém necessária, para a proteção de um de seus mais importantes símbolos nacionais.


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