1 Dollar – 1971 – Ilhas Cayman
- awada
- 2 de jul. de 2021
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Atualizado: 15 de jan.
Ilhas Cayman: do arquipélago das tartarugas ao cofre secreto do capital global.


Localizadas no Mar do Caribe, em um ambiente tropical de praias de areia branca e águas cristalinas, próximas a Cuba e à Jamaica, as Ilhas Cayman foram avistadas por Cristóvão Colombo em 1503, quando uma tempestade desviou o curso de seu navio durante a quarta e última viagem ao chamado “Novo Mundo”. Os exploradores ficaram impressionados com a grande quantidade de tartarugas marinhas que habitavam o arquipélago, o que levou Colombo a chamá-lo inicialmente de Las Tortugas (“As Tartarugas”). O nome atual, Ilhas Cayman, deriva do termo indígena caimanás, referência aos crocodilianos da região, e foi difundido ao longo do século XVI, período em que navegadores e corsários — entre eles Francis Drake, que ali aportou em 1586 — passaram a utilizar as ilhas como ponto de apoio. Disputadas entre Inglaterra e Espanha durante a Guerra Anglo-Espanhola (1655–1660), as ilhas tiveram a soberania britânica oficialmente reconhecida pelo Tratado de Madri de 1670. Por séculos, permaneceram como um território periférico do Império Britânico, com economia baseada principalmente na pesca, na agricultura de subsistência e em atividades marítimas. Administrativamente ligadas à Jamaica, tornaram-se um território ultramarino autônomo do Reino Unido em 1962, quando os jamaicanos optaram pela independência. A partir da década de 1960, porém, as Ilhas Cayman passaram por uma transformação radical. Aproveitando-se da estabilidade política britânica, da ausência de impostos diretos sobre renda, lucros e heranças, e de uma legislação financeira altamente permissiva, o arquipélago consolidou-se como um dos maiores centros financeiros offshore do mundo. Em 2017, sua população girava em torno de 61 mil habitantes, enquanto cerca de 40 mil empresas estavam registradas apenas na ilha de Grand Cayman — entre elas aproximadamente 600 bancos, responsáveis pela movimentação de centenas de bilhões de dólares em ativos. Esse modelo transformou as Ilhas Cayman em um símbolo global do chamado paraíso fiscal: um território que oferece sigilo bancário, baixa ou nenhuma tributação e reduzida transparência sobre a origem e a titularidade de capitais. Embora defensores argumentem que esse sistema impulsionou o desenvolvimento local, ele também é alvo constante de críticas internacionais por facilitar evasão fiscal, lavagem de dinheiro e a drenagem de recursos de países com sistemas tributários mais rigorosos. Assim, por trás da imagem idílica de praias paradisíacas, as Ilhas Cayman ocupam um papel central — e controverso — na engrenagem financeira global, ilustrando como pequenos territórios podem exercer uma influência desproporcional na economia mundial.


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