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1/5/10/50/100 Quetzales – 1983 e 1985 – Guatemala

  • awada
  • 18 de jan. de 2024
  • 2 min de leitura

Atualizado: 26 de mar.

Números que contam histórias: A herança maia nas cédulas da Guatemala.












O sistema de numeração utilizado no mundo moderno é o indo-arábico, também conhecido como sistema decimal por empregar dez símbolos para representar os números de 0 a 9. Ao longo da história da humanidade, contudo, diversos outros sistemas de numeração foram desenvolvidos por diferentes civilizações, como os sistemas romano, egípcio, sumério, chinês e maia. Com o tempo, o sistema indo-arábico prevaleceu, sobretudo por incorporar o conceito do zero, facilitar a realização de operações matemáticas e permitir a representação prática de números grandes por meio de ordens como unidades, dezenas, centenas e milhares. Sua origem remonta ao vale do rio Indo, no atual Paquistão, com a introdução do zero ocorrendo por volta do século VI. A partir do século VIII, foi adotado pelos árabes e difundido pela Europa por meio das rotas comerciais, expandindo-se gradualmente para o restante do mundo. Hoje, o sistema decimal é empregado universalmente nas cédulas para indicar valores monetários. Ainda assim, alguns países optam por incorporar elementos de sistemas numéricos tradicionais em suas emissões, valorizando sua herança cultural. É o caso da Guatemala, que, a partir de 1971, passou a incluir em suas cédulas o sistema numérico maia. Diferentemente do sistema decimal, o sistema maia é de base vigesimal, ou seja, utiliza vinte representações distintas para os valores de 0 a 19. Sua construção baseia-se em apenas três símbolos: a concha, o ponto e o traço horizontal. A concha representa o zero — um conceito que os maias desenvolveram de forma independente e pioneira. O ponto indica a unidade, enquanto o traço corresponde ao valor cinco. Outro aspecto fundamental desse sistema é o valor posicional. Dispostos verticalmente, os símbolos indicam ordens crescentes de magnitude, nas chamadas “ordens vigesimais”. Nas cédulas mencionadas, os numerais maias aparecem alternadamente nos cantos superior direito ou esquerdo. Assim, o número 1 é representado por um ponto; o 5, por um traço; o 10, por dois traços sobrepostos; o 50, por dois traços acompanhados de dois pontos; e o 100, pela combinação de uma concha e um traço. Atualmente, estima-se que cerca de 6 milhões de descendentes maias habitem regiões da América Central, incluindo Guatemala, sul do México, Belize, Honduras e El Salvador. Ao incorporar esse sistema ancestral em sua moeda, a Guatemala não apenas identifica valores, mas também reafirma e preserva a memória de uma das mais sofisticadas civilizações da América pré-colombiana, mantendo viva sua identidade cultural através de um elemento cotidiano e amplamente circulante.

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