1/4 Pound – 1952 – Líbia
- awada
- 25 de jan. de 2022
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Atualizado: 2 de mar.
Idris I: O primeiro e único rei do fugaz Reino da Líbia.


Durante a Segunda Guerra Mundial, o território da Líbia — então colônia italiana formalmente integrada ao Reino da Itália em 1939 como “Quarta Margem” — tornou-se palco de combates decisivos no Norte da África. Entre 1940 e 1943 desenrolou-se a chamada Campanha do Deserto Ocidental, que teve de um lado o Afrika Korps, comandado pelo general alemão Erwin Rommel; e de outro o Oitavo Exército britânico, que a partir de 1942 foi liderado pelo general Bernard Montgomery. À época, a Líbia era composta por três regiões históricas: Tripolitânia, Cirenaica e Fazânia. Com a derrota do Eixo, o território foi colocado sob administração militar aliada: o Reino Unido assumiu o controle da Cirenaica e da Tripolitânia, enquanto a França passou a administrar a Fazânia a partir do Chade. Em 24 de dezembro de 1951, após negociações conduzidas sob supervisão das Nações Unidas, proclamou-se a independência com a criação do Reino Unido da Líbia — o primeiro Estado africano a alcançar a independência por decisão da ONU. O novo país tornou-se uma monarquia constitucional e hereditária sob Idris I (1890–1983), até então emir da Cirenaica. Idris seria o primeiro e único rei do reino recém-criado. Buscando estabilidade econômica e proteção estratégica em plena Guerra Fria, Idris estabeleceu estreitos laços com o Ocidente, permitindo a instalação de bases militares britânicas e norte-americanas em troca de apoio financeiro. A situação econômica do país transformou-se radicalmente após a descoberta de grandes reservas de petróleo em 1959, que projetaram a Líbia como importante exportadora de energia na década seguinte. Apesar do crescimento das receitas petrolíferas, o regime foi gradualmente enfraquecido pelo avanço do nacionalismo árabe, pela influência das ideias socialistas e pelo descontentamento popular diante da concentração de renda, da corrupção e da proximidade do governo com potências ocidentais. Em 1º de setembro de 1969, enquanto Idris se encontrava na Turquia para tratamento médico, um grupo de oficiais liderados por Muammar Gaddafi tomou o poder em um golpe de Estado quase sem derramamento de sangue. A monarquia foi abolida e proclamou-se a República Árabe Líbia. O novo regime expulsou as forças militares estrangeiras e promoveu a nacionalização das companhias petrolíferas, alinhando o país a uma política de maior autonomia frente ao Ocidente. Após o golpe, Idris exilou-se no Egito, onde recebeu asilo do presidente Gamal Abdel Nasser. Julgado à revelia pelo Tribunal do Povo Líbio, foi condenado à morte em 1971, sentença que jamais foi executada. Idris faleceu no Cairo em 1983, aos 93 anos. A Líbia permaneceria sob o controle de Gaddafi por cerca de 42 anos, até sua captura e morte durante a guerra civil de 2011, encerrando um dos regimes mais longos do mundo árabe contemporâneo.


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