1/2 Dinar – 1964 – Bahrein
- awada
- 10 de set. de 2021
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Atualizado: 28 de jan.
Uma cédula, dois mundos: Tradição e modernidade no Bahrein.


Navios são um elemento bastante comum em cédulas bancárias, e alguns deles carregam histórias particularmente interessantes. O navio retratado à esquerda no reverso desta cédula é um cargueiro pesado da empresa DDG Hansa, de Bremen (Alemanha), fundada em 1881 e extinta em 1981. A Hansa-Line foi uma importante companhia de navegação especializada no transporte de cargas pesadas, operando linhas regulares entre a Europa, os Estados Unidos, o Oriente Médio e a Índia, sendo presença frequente nos portos dessas regiões. Não é difícil imaginar que os navios da Hansa também escalassem regularmente o porto de Mina Salman, em Manama, no Bahrein, e que muitos tripulantes tenham guardado esta cédula como lembrança daqueles dias. Os mastros em forma de “V”, equipados com o sistema conhecido como engrenagem Stülcken, foram especialmente projetados para o içamento de cargas extremamente pesadas, frequentemente com várias centenas de toneladas. O navio pertence à chamada classe “Picasso”, denominação informal derivada de seu design pouco convencional. Seu nome oficial, entretanto, era “Lichtenfels-Class”. O alojamento da tripulação era dividido em dois blocos distintos: na popa ficavam os engenheiros e marinheiros, enquanto na superestrutura localizada no castelo de proa alojavam-se o comandante, os oficiais de navegação e o operador de rádio. Essa disposição incomum devia-se ao receio dos proprietários de que os mastros em “V” prejudicassem seriamente a visibilidade a partir da ponte de comando. Além disso, o convés principal era frequentemente ocupado por cargas de grandes dimensões — como locomotivas, vagões ferroviários, caldeiras e equipamentos destinados à indústria do petróleo — que também comprometiam o campo de visão. Por essa razão, a ponte de navegação foi posicionada à frente. Ao todo, oito navios integraram a classe “Picasso”, mas não é possível identificar com absoluta certeza qual deles está representado na cédula. Mesmo em meados da década de 1960 já existiam opiniões divergentes a esse respeito. É provável que o desenho tenha sido baseado em uma fotografia produzida pela Autoridade Portuária de Manama após a entrada em operação do primeiro cais moderno, uma vez que, até cerca de 1961, as operações de carga eram realizadas principalmente por meio de transbordo para dhows — embarcações tradicionais à vela, de casco longo, como as retratadas no anverso da cédula. A presença simultânea desses navios — dos tradicionais dhows aos modernos cargueiros oceânicos — sintetiza um momento de transição vivido pelo Bahrein nas décadas de 1950 e 1960. Às vésperas da independência, o arquipélago consolidava-se como um elo estratégico entre as rotas marítimas tradicionais do Golfo Pérsico e o comércio industrial global, impulsionado sobretudo pela exploração do petróleo e pela modernização de sua infraestrutura portuária. Assim, a cédula não apenas ilustra embarcações, mas registra simbolicamente a transformação do Bahrein de um entreposto regional baseado na navegação à vela em um porto plenamente integrado às grandes correntes do comércio marítimo internacional.


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