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1.000 Rupees – 2009 – Sri Lanka

  • awada
  • 24 de fev. de 2022
  • 2 min de leitura

Atualizado: 3 de mar.

Da devastação à “paz negativa”: Os desafios da reconciliação no Sri Lanka.



O grupo étnico majoritário do Sri Lanka é o cingalês, majoritariamente budistas. Contudo, o país abriga outras minorias nacionais, entre as quais se destacam os tâmeis, majoritariamente hindus. As tensões entre a maioria cingalesa e parte da minoria tâmil culminaram em um violento conflito civil, quando a organização separatista Tigres de Libertação do Tamil Eelam (LTTE) passou a lutar pela criação de um Estado independente, o chamado Tamil Eelam. A área reivindicada pelos separatistas abrangia províncias do norte e nordeste da ilha, onde a população tâmil era mais concentrada. O conflito armado teve início em 1983 e se estendeu por quase vinte e seis anos. Marcado por atentados, ofensivas militares e graves violações de direitos humanos cometidas por ambos os lados, o confronto provocou enorme sofrimento à população civil. Cidades e vilarejos foram devastados, o meio ambiente sofreu danos significativos e a economia nacional enfrentou perdas profundas. As estimativas de mortos variam entre 80 mil e 100 mil pessoas. Em maio de 2009, as forças governamentais derrotaram militarmente o LTTE, encerrando a guerra. O então presidente Mahinda Rajapaksa — alvo de acusações internacionais de crimes contra a humanidade relacionados à fase final do conflito — criou, em 2010, a Comissão de Lições Aprendidas e Reconciliação. O objetivo era investigar os acontecimentos entre 2002 e 2009 e propor caminhos para consolidar a paz após o fim das hostilidades. Com o término da guerra, a reivindicação separatista perdeu força, e lideranças tâmeis passaram a buscar maior participação política dentro do Estado unitário. Ao longo da década de 2010, o país experimentou relativa estabilidade e retomada do crescimento econômico. Ainda em 2009, foi lançada a cédula comemorativa acima celebrando o fim do conflito sob o lema “um país, uma nação em harmonia”. A emissão, contudo, gerou controvérsia. Além de trazer a imagem do presidente no anverso, o reverso apresentava forte simbolismo militar, incluindo uma cena inspirada na célebre fotografia do hasteamento da bandeira dos Estados Unidos na Batalha de Iwo Jima, durante a Segunda Guerra Mundial. Atualmente, o Sri Lanka vive o que muitos analistas descrevem como uma “paz negativa”: não há guerra aberta, mas as causas estruturais que alimentaram o conflito — como desigualdades políticas, étnicas e regionais — ainda não foram plenamente resolvidas.

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