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1.000 Francs Guinéens – 1985 – Guiné

  • awada
  • 9 de nov. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 19 de fev.

Guiné e a nova onda de golpes na África Subsaariana.



Entre 2020 e 2023, a África Subsaariana registrou oito golpes de Estado bem-sucedidos: dois no Mali (2020 e 2021), dois em Burkina Faso (ambos em 2022), um na Guiné (2021), um no Chade (2021, após a morte do presidente), um no Sudão (2021) e um no Níger (2023). Em 2023, também houve um golpe no Gabão. Além disso, ocorreram tentativas malsucedidas, como na Guiné-Bissau (2022) e no Benim (2022). Esses acontecimentos ameaçam reverter parte do processo de democratização observado entre o início dos anos 2000 e o final da década de 2010, reacendendo o temor de que os golpes voltem a se tornar um recurso recorrente de disputa pelo poder. Entre 1956 e 2001, a África Subsaariana registrou cerca de 80 golpes bem-sucedidos e mais de 100 tentativas fracassadas, uma média aproximada de quatro por ano. Esse ritmo caiu significativamente entre 2002 e 2019, período em que muitos países africanos adotaram eleições multipartidárias e ampliaram seus marcos institucionais. Por que, então, os golpes voltaram a crescer? Nas primeiras décadas pós-coloniais, os líderes golpistas quase sempre apresentavam justificativas semelhantes: corrupção, má gestão econômica e pobreza. Em 2021, o coronel Mamady Doumbouya utilizou argumentos praticamente idênticos ao depor o presidente Alpha Condé na Guiné. Embora repetidas à exaustão, essas justificativas continuam encontrando eco em parte da população porque refletem problemas reais e persistentes. No campo socioeconômico, uma situação já delicada foi agravada pelos efeitos da pandemia de COVID-19 sobre economias frágeis e altamente dependentes de exportações primárias. O desemprego aumentou e a vulnerabilidade social se aprofundou. Segundo estimativas recentes do Banco Mundial e da ONU, em 2024-2025 o número de pessoas vivendo em extrema pobreza na África Subsaariana ultrapassou 460 milhões, algo em torno de 40% a 45% da população regional — proporção significativamente superior à de qualquer outra região do mundo. Esse cenário cria terreno fértil para rupturas institucionais. Jovens frustrados com estagnação econômica e escândalos de corrupção tendem a apoiar militares que prometem “refundar” o Estado, como se viu nas ruas da Guiné após a deposição de Condé. Por outro lado, líderes civis também contribuíram para a erosão institucional. No caso de Condé, sua permanência no poder foi viabilizada por uma controversa reforma constitucional em 2020 que lhe permitiu disputar um terceiro mandato — prática observada em outros países do continente e frequentemente associada ao enfraquecimento das regras democráticas. Golpes dessa natureza são menos prováveis em países com instituições mais consolidadas e economias relativamente mais diversificadas, como África do Sul, Gana ou Botsuana. Eles tendem a ocorrer com maior frequência em Estados mais pobres, com instituições frágeis e histórico de instabilidade civil-militar. Reverter essa tendência exige mais do que condenações internacionais ou sanções regionais. Exige liderança responsável, respeito às regras constitucionais e compromisso real com desenvolvimento econômico inclusivo. Em última instância, a estabilidade política do continente depende sobretudo das decisões tomadas por seus próprios dirigentes — civis e militares.

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