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1.000 Francs – 1963 – Estados da África Equatorial (Repúbl.do Congo) 500 e 1.000Francs – 1980 – Repúbl.Pop.do Congo

  • awada
  • 4 de nov. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 1 dia

Dois Congos, um rio e passados coloniais distintos.








Congo Médio, República Popular do Congo, Congo-Brazzaville e República do Congo, de um lado. Congo Belga, Congo-Kinshasa, Zaire e República Democrática do Congo, do outro. Ao longo do tempo criou-se uma considerável confusão não apenas em relação aos nomes, mas também às semelhanças entre essas duas nações vizinhas, que compartilham línguas, elementos culturais e até recursos naturais. No uso cotidiano, a própria população costuma recorrer às designações Congo-Brazzaville e Congo-Kinshasa, referências às respectivas capitais — Brazzaville e Kinshasa — situadas em margens opostas do Rio Congo, o curso d’água que deu nome a ambos os países. A origem do nome “Congo” remonta à chegada dos europeus à região. Em 1482, o navegador português Diogo Cão alcançou a foz do grande rio que deságua no Atlântico. Nos relatos iniciais, o estuário chegou a ser associado ao seu próprio nome, mas o termo “Congo” acabou prevalecendo após o contato com o poderoso Reino do Kongo, entidade política de povos bantos que dominava a região costeira e interior próxima à foz do rio. O nome passou então a designar tanto o rio quanto, posteriormente, as terras sob sua influência. O Rio Congo é hoje considerado o segundo maior rio da África em extensão, depois do Rio Nilo, e o segundo do mundo em volume de água, atrás apenas do Rio Amazonas. Apesar das semelhanças geográficas e culturais, as duas margens do rio tiveram trajetórias coloniais distintas. O território conhecido como Congo Médio integrou a África Equatorial Francesa. Com a independência em 1960, adotou o nome de República do Congo. Entre 1969 e 1991, entretanto, o país assumiu oficialmente a orientação marxista-leninista e passou a chamar-se República Popular do Congo, retomando a denominação anterior após o fim da Guerra Fria. Na margem oposta do rio desenvolveu-se o Congo Belga, que também conquistou sua independência em 1960, inicialmente com o nome de República do Congo. Para evitar confusão com o país vizinho, adotou-se em 1964 a designação República Democrática do Congo. Em 1971, durante o regime de Mobutu Sese Seko, o país foi rebatizado como Zaire — nome derivado de uma adaptação portuguesa da expressão kikongo nzadi o nzere, frequentemente interpretada como “o rio que engole rios”. Em 1997, após a queda de Mobutu, o país voltou à denominação atual de República Democrática do Congo. A primeira cédula vista acima foi emitida em 1963 pelo Banco Central dos Estados da África Equatorial. Nela, a letra-código “C”, no canto inferior do anverso, identifica o território de circulação como sendo a República do Congo. As outras duas foram emitidas entre 1974 e 1980 pelo Banco dos Estados da África Central, no período em que o país adotava o nome de República Popular do Congo. O Banco dos Estados da África Central permanece até hoje como a principal autoridade monetária da comunidade econômica que reúne, além da República do Congo, outros cinco países da região — Camarões, República Centro‑Africana, Gabão, Guiné Equatorial e Chade — todos antigos territórios sob domínio francês. Assim, quando nos deparamos com uma cédula identificada simplesmente como “Congo”, é preciso um pouco de atenção e pesquisa histórica para determinar a qual dos dois países — separados por um rio, mas ligados por uma história complexa — ela realmente pertence.

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