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1.000 Escudos – 1976 – São Tomé e Príncipe

  • awada
  • 21 de jan. de 2022
  • 2 min de leitura

Atualizado: 1 de mar.

Do comércio de ouro à escravidão: As origens atlânticas de São Tomé e Príncipe.



A cédula acima traz a efígie de João de Santarém, navegador português a quem se atribui, juntamente com Pedro Escobar, a descoberta das ilhas de São Tomé e Príncipe por volta de 1470–1471, no contexto da expansão marítima portuguesa ao longo da costa ocidental africana. Após a morte do rei Henrique o Navegador, em 1460, o impulso expansionista português não cessou. Em 1469, o rei Afonso V de Portugal arrendou por cinco anos a exploração comercial da chamada Costa da Guiné ao mercador lisboeta Fernão Gomes. Pelo contrato, Gomes comprometia-se a explorar anualmente cerca de 100 léguas de litoral africano, em troca do monopólio do comércio na região e do pagamento de uma renda à Coroa. Foi nesse quadro que João de Santarém e Pedro Escobar navegaram para o sul da África Ocidental, identificando novas ilhas no Golfo da Guiné — entre elas São Tomé, Príncipe e Ano Bom — além de reforçarem o reconhecimento da chamada Costa do Ouro. Também nesse período foi identificado o importante entreposto que os portugueses chamaram de “Mina”, devido à abundância de ouro comercializado pelos povos locais. O local corresponde à atual Elmina, cidade no litoral da atual Gana. Em 1478, durante a Guerra de Sucessão de Castela, travou-se na região uma significativa batalha naval entre Portugal e Castela pelo controle do comércio atlântico africano. A vitória portuguesa foi consolidada diplomaticamente pelo Tratado de Alcáçovas, que reconheceu a primazia de Portugal sobre a maior parte das rotas e territórios atlânticos ao sul das Canárias. Em 1482, já no reinado de João II de Portugal, foi construída a fortaleza de Forte de São Jorge da Mina, considerada a mais antiga construção europeia permanente ao sul do Saara. O forte tornou-se o principal centro da presença portuguesa na África subsaariana, desempenhando papel estratégico tanto no comércio quanto no apoio logístico às navegações rumo ao sul. Inicialmente, o ouro era o principal produto transacionado na Costa da Mina. Os portugueses levavam tecidos, metais, contas de vidro e outros manufaturados europeus — além de escravizados provenientes de outras regiões africanas — e os trocavam por ouro junto às elites locais. Ao longo do século XVI, contudo, o tráfico atlântico de escravizados ganharia proporções crescentes, especialmente com a expansão da colonização americana. O monopólio português na chamada Costa do Ouro manteve-se relativamente estável até o início do século XVII. Em 1637, forças da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais conquistaram Elmina, encerrando o domínio lusitano sobre o forte. A partir de então, a estrutura passou a integrar o sistema comercial holandês e desempenhou papel cada vez mais central no tráfico atlântico de pessoas escravizadas, atividade que envolveria diversas potências europeias nos séculos seguintes.

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