top of page

1.000 Dobras– 1982 – São Tomé e Príncipe

há 2 horas
2 min de leitura

Cacau: O fruto americano que encontrou na África seu maior território de cultivo.



A cena vista nesta cédula é aparentemente simples: um trabalhador santomense colhendo frutos de cacau. A imagem, porém, retrata uma cultura que transformou profundamente a economia das ilhas e, posteriormente, de boa parte da África tropical. O cacau (Theobroma cacao) não é originário da África. Sua origem está nas regiões tropicais das Américas, especialmente na bacia amazônica, onde a planta já era conhecida e cultivada muito antes da chegada dos europeus. Foram os processos de expansão colonial e de intercâmbio de plantas que levaram o cacaueiro para outras partes do mundo. E foi justamente São Tomé e Príncipe que se tornou a porta de entrada de sua grande expansão comercial no continente africano. A história de sua introdução em São Tomé e Príncipe nos leva a uma carta escrita pelo português João Baptista da Silva Lagos, datada de 30 novembro de 1821, onde o mesmo relata ter levado a partir da Bahia pequenas mudas de cacau para as ilhas, por determinação de uma ordem da coroa portuguesa de 1819. Inicialmente introduzido na ilha de Príncipe, o cultivo posteriormente alcançou São Tomé, encontrando nas ilhas clima quente, umidade abundante e solos vulcânicos particularmente favoráveis. A partir da segunda metade do século XIX, o aumento da procura europeia por chocolate, favorecido pela industrialização e pela sua transformação em produto de consumo mais amplo, o valor comercial e a produção do cacau deu um salto. Em 1908, o arquipélago já era considerado o maior produtor mundial. Mas sua liderança não duraria para sempre. O cultivo nas ilhas serviu como verdadeiro ponto de partida para a disseminação do cacaueiro por outras regiões africanas. Enquanto São Tomé e Príncipe perdia gradualmente sua posição de liderança, enormes áreas da África Ocidental passaram a ser dedicadas à cultura. Hoje, mais de dois séculos depois das primeiras mudas provenientes da América, a África domina a produção mundial. Na temporada 2024/25, a Organização Internacional do Cacau estimou a produção africana em cerca de 3,25 milhões de toneladas, aproximadamente 69% da produção mundial, a maior parte concentrada por ordem de volume na Costa do Marfim, Gana, Camarões e Nigéria. A cédula acima registra, portanto, em uma única imagem, esse extraordinário deslocamento histórico: um fruto americano que encontrou na África seu maior território de cultivo. 

bottom of page