1.000 Colones – 2009 – Costa Rica
- awada
- 24 de dez. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 24 de dez. de 2025
"A árvore não nega sua sombra nem para o lenhador." (provérbio Hindu)


Árvores são o primeiro sopro da vida e o último abrigo do silêncio. Elas nos oferecem oxigênio, capturam o dióxido de carbono que pesa na atmosfera, domam a força das chuvas, sustentam a biodiversidade e permanecem de pé como sentinelas contra as mudanças climáticas. Entre raízes profundas e copas que tocam o céu, contam a história do planeta muito antes de qualquer palavra escrita. Não por acaso, muitas nações escolheram uma árvore para representar sua identidade: um símbolo vivo da relação entre povo, território e natureza. Assim, é natural que elas também habitem nossas cédulas, transformando o dinheiro — símbolo do transitório — em homenagem ao que deveria ser eterno. A árvore retratada nesta cédula costarriquenha é o Guanacaste (Enterolobium cyclocarpum), proclamada árvore nacional da Costa Rica em 1959, em reconhecimento ao povo da Província de Guanacaste, no noroeste do país. De copa ampla e quase perfeitamente esférica, o Guanacaste parece abraçar a paisagem ao seu redor, oferecendo sombra generosa e flores brancas que pontuam o verde com delicadeza. Embora seja um ícone da Costa Rica e de outras regiões da América Central, o Guanacaste também estende suas raízes ao norte do Brasil, especialmente em Roraima. Seu nome popular, Orelha-de-Elefante, vem do formato curioso de suas vagens, lembrando que a natureza também brinca com a forma e a imaginação. O Brasil, assim como a Costa Rica, também reconheceu em uma árvore o reflexo de sua própria história. O pau-brasil (Paubrasilia echinata), declarado Árvore Nacional pela Lei nº 6.607 de 1978, durante o governo Ernesto Geisel, deu nome ao país e cor à sua origem econômica. Ainda assim, ironicamente, levou quase cinco séculos para ser oficialmente reconhecido. Símbolo da Mata Atlântica, hoje figura entre as espécies ameaçadas de extinção, lembrando que identidade sem cuidado se transforma em perda. Ao celebrar árvores nacionais, os países reafirmam um compromisso silencioso: proteger seus biomas é preservar memória, cultura e futuro. Cada tronco erguido é uma página viva da história; cada floresta cuidada, uma promessa de continuidade para as próximas gerações.


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