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1.000.000 Zaires – 1992 – Zaire

  • awada
  • 26 de out. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 15 de fev.

Da colonização brutal à ditadura: a longa noite congolesa.



A história contemporânea da atual República Democrática do Congo começa como um empreendimento pessoal do rei belga Leopoldo II: o Estado Livre do Congo (1885–1908). Nesse período, o território foi explorado de forma brutal, especialmente na extração de borracha, sob um regime marcado por violência sistemática e milhões de mortes. Diante das denúncias internacionais, a Bélgica assumiu o controle direto da colônia, que passou a se chamar Congo Belga (1908–1960). Com a independência, proclamada em 30 de junho de 1960, surgiu a República do Congo (1960–1964), posteriormente rebatizada como República Democrática do Congo (1964–1971). Em 1971, no contexto de uma política de “autenticidade” nacionalista, o país adotou o nome República do Zaire (1971–1997). Após a queda do regime de Mobutu Sese Seko, voltou a se chamar República Democrática do Congo (desde 1997). Figura central dessa trajetória foi Mobutu, que governou o país de 1965 a 1997. Ainda em 1960, então chefe do Estado-Maior do exército, liderou um golpe que neutralizou o primeiro-ministro Patrice Lumumba, preso e posteriormente assassinado em janeiro de 1961, em meio à crise política e à intervenção estrangeira que marcaram os primeiros meses da independência. Em 1965, Mobutu tomou definitivamente o poder ao depor o presidente Joseph Kasa-Vubu, consolidando-se como chefe de Estado com apoio de potências ocidentais, sobretudo dos Estados Unidos e da França, no contexto da Guerra Fria. Autoproclamado “presidente-marechal”, Mobutu lançou uma política de “autenticidade” que buscava romper simbolicamente com o passado colonial. Em 1971, o país passou a se chamar Zaire, o rio Congo foi oficialmente denominado rio Zaire, e a moeda tornou-se o zaire. Paralelamente, instituiu um forte culto à personalidade — todas as cédulas emitidas durante o período do Zaire traziam seu retrato — e concentrou poderes de forma quase absoluta. Embora não tenha se intitulado formalmente “rei”, governou como tal, cercado por ostentação e por um sistema político marcado por repressão, corrupção endêmica e enriquecimento ilícito. Estimativas indicam que sua fortuna pessoal pode ter alcançado bilhões de dólares, enquanto a economia nacional entrava em colapso. Na década de 1990, com o fim da Guerra Fria e o enfraquecimento do apoio externo, o regime perdeu sustentação. Em 1996–1997, uma rebelião liderada por Laurent-Desire Kabila avançou pelo território. Em maio de 1997, o presidente sul-africano Nelson Mandela tentou mediar uma transição para evitar um confronto devastador. Pouco depois, Mobutu abandonou o poder, exilando-se primeiro no Togo e depois no Marrocos, onde morreu em setembro de 1997, vítima de câncer. A cédula acima simboliza os estertores de um regime já corroído pela hiperinflação e pela perda de legitimidade. Ela é também um retrato de uma nação cuja população atravessou colonização predatória, ditadura prolongada, conflitos armados e crises humanitárias sucessivas.

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