60 Baht – 1987 – Tailândia
- awada
- 12 de mar. de 2022
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Atualizado: 28 de fev.
Entre constituição e tradição: A singularidade da monarquia Tailandesa.


Ao longo da história, a monarquia assumiu diferentes formas e, no mundo contemporâneo, sobrevive sobretudo sob três modelos principais. A monarquia absoluta concentra amplos poderes nas mãos do soberano, como ocorre na Arábia Saudita com o rei Salman bin Abdulaziz Al Saud e em Omã com o sultão Haitham bin Tariq. Já a monarquia constitucional limita formalmente o poder do rei ou da rainha, que reina, mas não governa diretamente, cabendo a condução política a um parlamento e a um governo eleito, caso do Reino Unido com o rei Charles III e da Suécia com o rei Carlos XVI. Há ainda a monarquia semiconstitucional, na qual o soberano compartilha o poder com instituições representativas, mas mantém influência política efetiva, como no Marrocos com o rei Mohammed VI e na Tailândia com o rei Maha Vajiralongkorn, também conhecido como Rama X. No mundo moderno, alguns monarcas se destacaram pela extraordinária duração de seus reinados. A rainha Elizabeth II do Reino Unido por exemplo permaneceu no trono por 70 anos e 214 dias, tornando-se símbolo de continuidade institucional nos séculos XX e XXI. O sultão Hassanal Bolkiah do Brunei governa desde 1967. Já o rei Bhumibol Adulyadej da Tailândia, retratado nesta cédula, reinou por sete décadas, entre 1946 e 2016, sendo portanto por muitos anos o chefe de Estado em exercício há mais tempo no mundo. A Tailândia é formalmente uma monarquia constitucional desde a Revolução de 1932, que pôs fim ao absolutismo. Contudo, embora a constituição limite seus poderes formais, o rei conserva enorme prestígio moral, influência simbólica e papel estabilizador em momentos de crise política. Na prática, a monarquia tailandesa ocupa uma posição singular: constitucional no plano jurídico, mas profundamente central na vida cultural e política do país. O rei Bhumibol pertence à dinastia Chakri, fundada em 1782 por Rama I, responsável por estabelecer Bangcoc como capital do reino. Ao longo de seu reinado, Bhumibol, coroado como Rama IX, consolidou a imagem da monarquia como guardiã da identidade nacional, aspecto particularmente relevante em um país que atravessou sucessivos golpes militares e períodos de instabilidade ao longo do século XX. A cédula de 60 baht celebra exatamente o sexagésimo aniversário do rei. O número possui forte significado simbólico: no calendário tradicional do Leste Asiático, o ciclo de 60 anos marca o encerramento de um ciclo completo de vida. A emissão, portanto, tinha caráter comemorativo e ritual, inserindo-se num momento em que a Tailândia experimentava crescimento econômico acelerado e relativa estabilização política após décadas turbulentas. A imagem do rei era então amplamente utilizada como elemento de coesão nacional e legitimidade institucional. A simbologia da cédula reforça essa construção. O retrato do monarca em trajes de coroação destaca a legitimidade e a continuidade dinástica. O halo radiante ao fundo da figura do rei sugere virtude e mérito espiritual, em consonância com o ideal budista do rei justo. O trono elevado e a arquitetura cerimonial reforçam a ideia de mediação entre o plano terreno e o sagrado. Mais do que um simples instrumento monetário, a cédula articula três dimensões fundamentais da identidade tailandesa — a monarquia, o budismo e a nação — funcionando como veículo de afirmação política, memória histórica e legitimidade simbólica. Do ponto de vista numismático, constitui exemplo eloquente de como o papel-moeda pode servir não apenas à economia, mas também à construção de narrativas de poder e continuidade institucional.


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