50 Baht – 1997 – Tailândia
- awada
- 14 de mar. de 2021
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Atualizado: 13 de dez. de 2025
O Rei do Sião além do palco e da tela.


Rei Mongkut (1804–1868), retratado no reverso desta cédula e também conhecido como Rama IV, governou o Sião (atual Tailândia) de 1851 até sua morte. Em 1862, sua corte contratou Anna Leonowens, uma professora anglo-indiana, para educar alguns de seus filhos e esposas reais. Sua presença e influência tornaram-se posteriormente objeto de controvérsia na Tailândia, sobretudo pela alegação de que teria influenciado a formação intelectual do príncipe Chulalongkorn (1853–1910), que sucedeu seu pai no trono como Rama V. A história de Anna Leonowens inspirou obras de ficção no Ocidente, como o filme Anna e o Rei do Sião, o musical O Rei e Eu e sua adaptação cinematográfica Anna e o Rei. Essas produções foram duramente criticadas na Tailândia por apresentarem versões ficcionalizadas dos fatos históricos e por retratarem o Rei Mongkut de maneira considerada desrespeitosa, sendo por isso banidas no país sob acusações de lesa-majestade. Com o objetivo de corrigir distorções históricas, os intelectuais tailandeses Seni Pramoj e Kukrit Pramoj publicaram, em 1948, a obra O Rei do Sião Fala. O manuscrito foi posteriormente enviado ao diplomata norte-americano Abbot Low Moffat, que se baseou nele para escrever a biografia Mongkut, o Rei do Sião, publicada em 1961. Uma das principais controvérsias residia na afirmação de Anna Leonowens de que suas conversas com o jovem príncipe Chulalongkorn, especialmente sobre ideias de liberdade humana e o romance A Cabana do Pai Tomás, teriam inspirado a futura abolição da escravidão no Sião, ocorrida de forma gradual décadas depois. No entanto, os historiadores tailandeses destacaram que o sistema de escravidão siamês diferia substancialmente daquele praticado nos Estados Unidos, uma vez que ele não se baseava em critérios raciais. No Sião, a escravidão frequentemente assumia a forma de servidão por dívida e, em certos casos, era uma alternativa voluntária para aliviar obrigações financeiras. Havia restrições legais ao tratamento dos escravos, incluindo punições para abusos, e muitos podiam comprar sua liberdade. Alguns estudiosos ocidentais chegaram a observar que, em determinados aspectos, os escravos siameses eram tratados de maneira menos severa do que servos e trabalhadores pobres na Europa do século XIX.


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