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5 Pounds – 1983 – Escócia

  • awada
  • 30 de mar. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 20 de dez. de 2025

“Os melhores planos de camundongos e homens; Por vezes se arruínam”. (poema de Robert Burns)




A figura retratada nesta cédula é Robert Burns (1759–1796), considerado o poeta nacional da Escócia. Burns escreveu poemas marcados pela simplicidade e espontaneidade, com temas que giram em torno de sua aldeia natal, da natureza e de seus amores. Um de seus poemas mais conhecidos, escrito em 1785, é “To a Mouse” (Para um Camundongo). No poema, Burns narra a história de um fazendeiro que, ao arar a terra, destrói acidentalmente o ninho de um camundongo. Ao ver o pequeno animal correr em pânico, ele lhe assegura que não tem intenção de persegui-lo ou feri-lo. O episódio o leva a refletir sobre como a humanidade passou a dominar a Terra e suas criaturas, rompendo a harmonia que naturalmente deveria existir entre pessoas e animais. Essa dominação, reconhece o fazendeiro, torna plenamente compreensível o medo do camundongo, ainda que ele próprio — o homem — seja também uma criatura frágil e vulnerável. O fazendeiro admite que o camundongo por vezes rouba parte de seus estoques, mas questiona se isso realmente importa. Afinal, o pequeno animal precisa sobreviver. A perda ocasional de uma espiga de milho é algo menor, que não merece ressentimento: é melhor agradecer pelo que se tem do que lamentar o pouco que se perde. Seu olhar então retorna ao ninho destruído, e ele se compadece do esforço do camundongo, que esperava passar o inverno protegido da chuva e dos ventos que se aproximavam. Nesse momento, o fazendeiro percebe que não é apenas para o roedor que planejar o futuro pode ser inútil. Mesmo os planos mais cuidadosos, feitos por animais ou por homens, estão sujeitos ao fracasso — e, quando ruem, deixam no lugar não a felicidade esperada, mas tristeza e angústia. Por fim, o fazendeiro conclui, com amarga lucidez, que o camundongo é mais afortunado do que ele. O pequeno animal vive preso apenas ao presente. Já o homem carrega o peso do passado, revivendo dores antigas, e sofre também com o futuro, que ainda não chegou, mas já o assombra com seus temores. Assim, no silêncio do campo e diante de um ninho em ruínas, Burns revela a tragédia maior da condição humana: a consciência que transforma memória e expectativa em fontes permanentes de sofrimento.

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