top of page

5 Karbowanez – 1942 – Ucrânia

  • awada
  • 28 de fev. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 26 de dez. de 2025

Ucrânia em guerra: Entre o martelo nazista e a bigorna soviética.




O carimbo do Zentralnotenbank Ukraine, ostentando a águia nazista nesta cédula, remete ao período da ocupação alemã da Ucrânia durante a Segunda Guerra Mundial. Nesse contexto, o movimento nacionalista ucraniano encontrava-se profundamente dividido: enquanto alguns grupos do subterrâneo lutavam simultaneamente contra o domínio nazista e o controle soviético, outros optaram por colaborar, de forma oportunista ou coercitiva, com um ou outro lado, na esperança de alcançar algum grau de autonomia nacional. Desde 1922, a Ucrânia integrava a União Soviética, tendo sofrido nas décadas anteriores políticas repressivas severas, como a coletivização forçada da agricultura e o Holodomor (Grande Fome Artificial). Em 1941, com o lançamento da Operação Barbarossa, as forças alemãs e seus aliados do Eixo invadiram o território soviético, avançando rapidamente sobre a Ucrânia. Na Batalha de Kiev, o Exército Vermelho, com apoio e sacrifício da população local, ofereceu resistência intensa ao avanço nazista. Apesar disso, o cerco terminou em uma derrota catastrófica para os soviéticos: mais de 660 mil soldados foram capturados, no que é considerado o maior cerco militar da história. Inicialmente, em especial na Ucrânia Ocidental, parte da população recebeu os alemães como libertadores, motivada pelo profundo ressentimento em relação ao regime soviético. Contudo, essa expectativa foi rapidamente frustrada. As autoridades de ocupação alemãs não promoveram qualquer projeto de autonomia ucraniana; mantiveram as fazendas coletivas, impuseram requisições brutais de alimentos, deportaram milhões para trabalhos forçados na Alemanha e executaram uma política sistemática de extermínio da população judaica. Como consequência, a maioria dos habitantes dos territórios ocupados passou também a se opor ao regime nazista. A Ucrânia tornou-se um dos principais palcos da guerra de extermínio no Leste Europeu. Estima-se que entre 5 e 8 milhões de civis tenham morrido no território ucraniano durante a guerra e a ocupação alemã, incluindo mais de meio milhão de judeus assassinados no Holocausto. Dos cerca de 11 milhões de soldados soviéticos mortos em combate, aproximadamente um quarto eram ucranianos étnicos. Ao fim da guerra, a Ucrânia soviética teve suas fronteiras ampliadas para o oeste, incorporando territórios anteriormente pertencentes à Polônia, Romênia e Tchecoslováquia, reunindo pela primeira vez a maior parte dos ucranianos sob uma única entidade política. Contudo, essa unificação ocorreu ao custo de destruição humana e material imensuráveis. Entre Berlim e Moscou, a Ucrânia passou a guerra tentando sobreviver esmagada entre duas potências bélicas totalitárias, pagando um dos preços mais altos do conflito. Somente em 1991, com o colapso da União Soviética, o país pôde finalmente alcançar sua independência, levando consigo as cicatrizes profundas de um século marcado por dominação, resistência e sobrevivência.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page