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5 Francs – 1947/49 – Guadalupe 5 Francs – 1950/60 – São Tomé e Príncipe

  • awada
  • 22 de jan. de 2022
  • 2 min de leitura

Atualizado: 1 de mar.

Bougainville e La Boudeuse: A expansão marítima da França no século XVIII. 






O Caisse Centrale de la France d’Outre-Mer (CCFOM) foi o organismo francês responsável pela emissão monetária nos territórios ultramarinos franceses entre 1944 e 1959, no contexto da reorganização administrativa do império colonial após a Segunda Guerra Mundial. Criado em substituição a estruturas anteriores ligadas ao regime de Vichy, o CCFOM integrou o esforço de reafirmação da autoridade da França sobre seus domínios coloniais e supervisionou a circulação monetária em áreas como a África Ocidental Francesa, África Equatorial Francesa, Camarões, Reunião, Madagáscar, Costa Francesa dos Somalis (atual Djibuti), Polinésia Francesa, Nova Caledônia, além das Antilhas (Martinica e Guadalupe) e de São Pedro e Miquelão. Em 1959, suas funções foram transferidas para o Institut d’Émission des Départements d’Outre-Mer (IEDOM), refletindo a transformação institucional que acompanhou a descolonização. As duas cédulas acima, emitidas para circularem nos territórios de Guadalupe e São Pedro e Miquelão, estampam  a figura do explorador Louis-Antoine de Bougainville (1729-1811) e da sua fragata La Boudeuse. A escolha iconográfica homenageia a primeira circunavegação do globo terrestre realizada por um francês no século XVIII, inserindo a narrativa colonial em uma tradição de expansão marítima e prestígio científico. A expedição de Bougainville partiu do porto de Brest em 5 de novembro de 1766. Após escala no Rio de Janeiro, onde em junho de 1767 se uniu ao navio de apoio L’Étoile, a flotilha seguiu rumo ao sul do Atlântico, atravessou o Estreito de Magalhães e ingressou no oceano Pacífico. Em abril de 1768, alcançou o Taiti, que Bougainville reivindicou para a França sob o nome de “Nouvelle Cythère”. Contudo, a ilha já havia sido visitada em 1767 pelo navegador britânico Samuel Wallis, fato que evidencia a intensa rivalidade marítima entre as potências europeias. Durante a travessia pelo Pacífico, Bougainville explorou áreas da Melanésia, incluindo partes do atual arquipélago de Vanuatu, das Ilhas Salomão e da ilha hoje conhecida como Bougainville em sua homenagem. A expedição enfrentou severas dificuldades logísticas, sobretudo a escassez de víveres frescos, que provocou surtos de escorbuto entre os tripulantes. O reabastecimento nas Molucas foi decisivo para a conclusão da viagem. O retorno à França ocorreu em 16 de março de 1769, com a perda de apenas sete homens — número relativamente baixo para uma expedição dessa magnitude no século XVIII, o que foi amplamente atribuído à disciplina e à organização do seu comandante. Em 1771, Bougainville publicou o relato da viagem, Voyage autour du monde, obra que teve ampla repercussão na Europa. Sua descrição do Taiti como um paraíso natural, onde os habitantes viveriam em harmonia e simplicidade, reforçou o imaginário do “bom selvagem”, conceito associado ao pensamento iluminista e que influenciou as ideias utópicas de filósofos como Jean-Jacques Rousseau antes do advento da Revolução francesa. Hoje este conceito é considerado um mito, uma vez que essa visão ignorava a complexidade, as guerras e os conflitos reais presentes nas sociedades indígenas, servindo mais como uma projeção da fantasia europeia do que como um retrato fiel.

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