200 Rials – 2025 – Iêmen, Rep.Árabe
- awada
- há 5 dias
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Iêmen: O país onde até o dinheiro está em guerra!


A guerra no Iêmen, deflagrada em 2014 com a tomada pelos houthis de Sana, a capital e maior cidade do Yemen, gerou uma fragmentação profunda do país. O movimento, de base zaydista (uma ramificação do Islã xiita) e apoiado pelo Irã, enfrentou o governo reconhecido internacionalmente e apoiado por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita, dividindo o território em zonas de influência concorrentes. A partir dessa divisão, cada lado passou a operar instituições próprias, inclusive bancos centrais paralelos, o que acentuou o colapso econômico. Nesse contexto surgiu a cédula acima emitida pelos houthis. Curiosamente, os locais nela representados, a Mesquita Al-Janad e o porto de Áden, não estão totalmente sob controle do grupo. A província de Taiz, onde fica a mesquita, permanece dividida: partes urbanas e industriais estão sob domínio houthi, enquanto grande parte da cidade é controlada por forças rivais. Já o porto de Áden está firmemente nas mãos do Conselho de Transição do Sul, apoiado pelos Emirados Árabes Unidos, fora do alcance dos houthis. A inclusão dessas imagens revela mais do que paisagens: expressa uma tentativa de afirmar legitimidade sobre todo o país, mesmo onde o controle territorial é inexistente ou parcial. A emissão unilateral dessas cédulas também teve finalidades práticas: substituir notas escassas, financiar operações e consolidar a administração paralela. Porém, as consequências foram duras para a população. O governo em Áden proibiu as novas cédulas, criando duas economias com moedas distintas. Salários passaram a valer menos conforme a fronteira política; comerciantes adotaram dupla cotação; cidadãos que atravessavam zonas de controle viam seu dinheiro tornar-se inútil de um lado para o outro. A inflação disparou, e aposentados e funcionários públicos ficaram meses sem receber. Assim, a cédula houthi simboliza a própria fratura do Iêmen: um país onde a guerra transformou até o dinheiro em ferramenta de disputa e em mais um obstáculo para a sobrevivência cotidiana.


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