20 Rupees – 1985 – Maurício
- awada
- 12 de abr. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 22 de dez. de 2025
O presente de aniversário que custou uma eleição.


Maurício é um arquipélago localizado no sudoeste do Oceano Índico, a cerca de 2.000 quilômetros da costa oriental da África. Seu território é composto por aproximadamente 60 ilhas e ilhotas, distribuídas entre a ilha principal de Maurício, Rodrigues, Agalega e os recifes e bancos de Saint Brandon. Com uma área total de cerca de 2.040 km², o país abriga hoje pouco mais de 1,2 milhão de habitantes, concentrados majoritariamente na ilha principal. Antes de se tornar um destino turístico conhecido por praias paradisíacas, Maurício foi um território disputado por potências europeias. Colonizada inicialmente pelos holandeses no século XVII, passou depois ao controle francês, período em que se consolidou a economia açucareira baseada no trabalho escravizado. Em 1810, a ilha foi tomada pelos britânicos, que mantiveram grande parte da administração e das elites locais até a independência, conquistada em 1968. Em 1992, o país rompeu definitivamente com a monarquia britânica e tornou-se uma república parlamentar. É nesse contexto de jovem democracia que surge a figura retratada na cédula acima. A senhora em questão é Sarojini Ballah Jugnauth (1938-), conhecida como Lady Jugnauth, esposa de Sir Anerood Jugnauth (1930-2021), um dos políticos mais influentes da história de Maurício. Ela desempenhou o papel de primeira-dama em diferentes fases: como esposa do primeiro-ministro (1982-1995, 2000-2003 e 2014-2017) e como primeira-dama da república quando seu marido ocupou a presidência (2003-2012). Embora fosse reconhecida por sua atuação social e presença constante em eventos públicos, a decisão de estampar seu retrato em uma cédula oficial gerou forte desconforto. Inicialmente apresentada como uma homenagem institucional, a verdade veio à tona em 1992: a emissão da cédula havia sido, na realidade, um presente de aniversário, viabilizado pela influência política direta do primeiro-ministro sobre o Banco de Maurício. A revelação provocou indignação, alimentou a oposição e levou à retirada da cédula de circulação. Sir Anerood Jugnauth foi obrigado a pedir desculpas formais ao Parlamento, reconhecendo o erro e prometendo não repetir tal prática. A promessa foi cumprida — ainda que sua credibilidade política não tenha saído ilesa. Seu partido acabaria derrotado na eleição seguinte, embora o próprio Jugnauth retornasse mais tarde ao poder, provando que a memória do eleitor também pode ser seletiva. No fim das contas, a história dessa cédula ensina uma lição curiosa: enquanto monumentos costumam eternizar feitos, o papel-moeda pode eternizar vaidades. E, neste caso específico, o velho clichê político — “é errando que se aprende” — parece ter sido aprendido… ainda que a um custo inflacionário de constrangimento institucional.


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