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20 Rupees – 1970-2002 – Índia

  • awada
  • 24 de set. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 5 dias

Roda da História: O conceito do tempo no Hinduísmo.



A imagem vista nesta cédula indiana em seu reverso – a Roda do Tempo – remete a um dos conceitos centrais do Hinduísmo: a compreensão do tempo como uma realidade não linear, profundamente ligada à ordem cósmica. Diferentemente da visão predominante no pensamento ocidental moderno – que entende a história como uma sucessão de eventos com começo, desenvolvimento e fim – o Hinduísmo concebe o tempo como cíclico, contínuo e eterno. Nessa perspectiva, a existência não avança em linha reta, mas se renova constantemente em movimentos repetidos, regidos por leis universais que transcendem a experiência humana imediata. Segundo a cosmologia hindu, o processo de criação ocorre em ciclos sucessivos, cada um composto por quatro grandes eras, chamadas yugas: Satya Yuga (A Era de Ouro), Treta Yuga (A Era de Prata), Dwapar Yuga (A Era de Bronze) e Kali Yuga (A Era de Ferro). À medida que essas eras se sucedem, observa-se um gradual declínio espiritual e moral, até que o ciclo se complete e se inicie novamente. Um ciclo completo das quatro yugas totaliza 4.320.000 anos, reforçando a ideia de que a criação não possui um fim absoluto, mas se reorganiza continuamente, em um eterno processo de manifestação e recolhimento. Nesse contexto, o tempo (kal, em sânscrito) é entendido como uma manifestação do divino. Deus é atemporal, pois o tempo só existe no plano relativo da criação; no absoluto, passado, presente e futuro coexistem simultaneamente. A criação começa quando a energia divina se torna ativa e se encerra quando essa energia retorna ao estado de inatividade, sem que isso represente aniquilação definitiva, mas apenas uma transição para um novo ciclo. A Roda do Tempo simboliza graficamente esse movimento eterno e ordenado. Ela representa o mecanismo pelo qual o tempo organiza os ritmos da vida, sustenta os mundos e regula os processos de nascimento, envelhecimento, morte e renascimento. Dentro dessa lógica, a morte não é vista como um término, mas como uma porta de passagem para o próximo ciclo de existência, princípio que se aplica tanto aos seres vivos quanto ao próprio universo, refletindo os padrões circulares observados nos fenômenos da Natureza.

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