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20 Pesos Oro – 1980 – República Dominicana

  • awada
  • 19 de out. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 12 de fev.

Uma ilha, dois destinos: A construção da República Dominicana.



O monumento retratado nesta cédula é o Altar da Pátria, um imponente mausoléu de mármore localizado em Santo Domingo. Ali repousam os restos mortais de Juan Pablo Duarte, Francisco del Rosario Sánchez e Ramón Matías Mella, os três fundadores da República Dominicana, conhecidos como “Os Trinitários”. O local não é apenas um marco arquitetônico, mas um símbolo da soberania dominicana, erguido em homenagem aos homens que lideraram a luta contra a ocupação haitiana e consolidaram a independência nacional em 1844. A história da ilha onde hoje se encontra a República Dominicana começa muito antes da chegada europeia. A Ilha de Hispaniola, no arquipélago das Grandes Antilhas, era habitada pelo povo taíno, que desenvolveu uma sociedade agrícola estruturada e culturalmente rica. Em 1492, Cristóvão Colombo chegou à ilha e a reivindicou para a Coroa de Castela. Ali foi fundado Santo Domingo, o primeiro assentamento europeu permanente nas Américas e a primeira colônia espanhola no Novo Mundo. A colonização teve consequências devastadoras para os taínos, que praticamente desapareceram devido às doenças trazidas pelos europeus e à exploração colonial. Com o passar do tempo, a parte ocidental da ilha foi ocupada pela França. Em 1697, pelo Tratado de Ryswick, a Espanha reconheceu oficialmente o domínio francês sobre essa região, que mais tarde se tornaria o Haiti, independente em 1804. Assim, a ilha passou a abrigar duas colônias distintas: uma espanhola, a leste, e outra francesa, a oeste — divisão que moldaria profundamente o futuro de ambos os povos. Após mais de três séculos de domínio espanhol, a parte oriental declarou sua independência em novembro de 1821, liderada por José Núñez de Cáceres, que pretendia unir o novo país à Grã-Colômbia. Contudo, em fevereiro de 1822, o território foi anexado pelo Haiti, iniciando um período de 22 anos de ocupação. A verdadeira independência dominicana foi conquistada em 27 de fevereiro de 1844, quando os Trinitários lideraram o movimento que pôs fim ao domínio haitiano. Ainda assim, o país enfrentaria instabilidade política, guerras civis, tentativas de reconquista por parte do Haiti e até mesmo um breve retorno ao domínio espanhol. Somente após a Guerra da Restauração (1863–1865) a soberania foi definitivamente consolidada. O Altar da Pátria, portanto, não celebra apenas três homens, mas a persistência de um povo que atravessou colonização, ocupação e conflitos até afirmar sua identidade nacional. Ele representa a convicção de que a independência, uma vez conquistada, deve ser defendida com determinação — um princípio que moldou a trajetória da República Dominicana.

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