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20 Makuta – 1970 – Congo, República Democrática

  • awada
  • 13 de ago. de 2023
  • 2 min de leitura

Atualizado: 30 de mar.

Lumumba: A independência que “ameaçava” o mundo democrático.




Filho de uma humilde família camponesa, Patrice Émery Lumumba (1925–1961) teve uma trajetória política breve, porém decisiva, marcada pelo alinhamento com o anti-imperialismo e o pan-africanismo. Defensor da solidariedade entre os povos africanos para além de divisões de nação, etnia, cultura ou classe, Lumumba também se posicionava, em seus primeiros passos políticos, a favor de uma luta predominantemente não violenta contra o colonialismo. Como um dos fundadores do Mouvement National Congolais — o primeiro partido de caráter verdadeiramente nacional no país —, tornou-se a principal liderança no processo de independência do então Congo Belga. Com a independência proclamada em 1960, foi eleito primeiro-ministro, mas permaneceu no cargo por apenas cerca de doze semanas, antes de ser deposto em meio a uma crise política e militar que rapidamente internacionalizou o conflito interno. Ao tentar reorganizar forças no leste do país, Lumumba foi capturado e, em janeiro de 1961, assassinado com a participação e conivência de interesses estrangeiros, sobretudo da CIA e do governo belga, que o percebiam como uma possível porta de entrada para a influência da União Soviética na África Central. Décadas depois, um ex-agente belga confessou sua participação no crime, relatando que os corpos foram destruídos para eliminar qualquer vestígio — restando apenas alguns dentes, um dos quais foi por ele guardado como um macabro souvenir. A publicação do livro O Assassinato de Lumumba impulsionou, no ano 2000, a criação de uma comissão parlamentar na Bélgica, que reconheceu a responsabilidade moral do Estado nos acontecimentos. Investigações posteriores também revelaram planos da CIA para eliminar o líder congolês, além de indícios do envolvimento do Reino Unido na articulação contra seu governo. Em 2022, em um gesto tardio de reparação simbólica, a Bélgica devolveu à família de Lumumba uma pequena caixa azul que continha um dente — tudo o que restou de seu corpo — em uma cerimônia oficial. A trajetória de Lumumba expõe, de forma crua, os bastidores da Guerra Fria, em que discursos sobre liberdade, autodeterminação e soberania nacional frequentemente cediam lugar a intervenções diretas, golpes e assassinatos políticos. Longe da diplomacia proclamada, as grandes potências recorreram a meios clandestinos e violentos para moldar o destino de nações recém-independentes — revelando que, naquele tabuleiro global, a independência formal raramente significava autonomia real.

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