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2 Dram – 2004 – Repúbl. Artsaque

  • awada
  • 21 de set. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 30 de jan.

Nações sem Reconhecimento: A geopolítica dos Estados “de facto”.



Em 1992 foi criada a chamada Comunidade dos Estados Não Reconhecidos, uma organização informal surgida na Europa Oriental que reunia diversos entes políticos oriundos da antiga União Soviética, todos com pouco ou nenhum reconhecimento por parte da comunidade internacional. Inicialmente, dela fizeram parte a Transnístria, a Abecásia, a Ossétia do Sul, o Artsaque, a autoproclamada República Srpska, na Bósnia e Herzegovina, e a Sérvia Krajina, situada em território croata. A Sérvia Krajina deixou de existir em 1995, após ser reintegrada à Croácia ao fim da Guerra da Iugoslávia. No mesmo ano, a República Srpska passou a ser reconhecida internacionalmente como uma entidade constitutiva da Bósnia e Herzegovina, encerrando sua participação na comunidade. E em setembro de 2023, um decreto emitido pelas próprias autoridades do Artsaque determinou a dissolução de todas as suas instituições estatais até janeiro de 2024, o que marcou, na prática, o fim de sua existência política. Embora esse decreto tenha sido posteriormente revogado, quase toda a população armênia da região já havia fugido para a Armênia, em consequência da ofensiva militar do Azerbaijão. O Artsaque, anteriormente conhecido como Nagorno-Karabakh (ou Alto Carabaque), foi uma república independente de facto (na prática), mas reconhecida de jure (por direito) pela Organização das Nações Unidas como parte integrante do Azerbaijão. A região, de predominância étnica armênia, tornou-se foco de disputa quando Armênia e Azerbaijão conquistaram sua independência, em 1918, após o colapso do Império Russo. Com a incorporação do Cáucaso ao território soviético, em 1923, por decisão de Josef Stalin, foi criada a Oblast Autônoma de Nagorno-Karabakh (OANK), uma região autônoma inserida dentro da República Socialista Soviética do Azerbaijão, apesar de sua maioria populacional armênia. Em dezembro de 1991, em meio à dissolução da União Soviética, realizou-se um referendo na OANK que resultou na declaração de independência em relação ao Azerbaijão e na proclamação da República do Artsaque. Esse processo culminou na Primeira Guerra de Nagorno-Karabakh, travada entre 1988 e 1994, ao final da qual o Artsaque, com apoio decisivo da Armênia, consolidou o controle não apenas de seu território autônomo original, mas também de várias regiões azerbaijanas adjacentes. Apesar disso, o novo Estado permaneceu sem reconhecimento formal de qualquer país ou organização internacional, inclusive da própria Armênia, sendo reconhecido apenas por outros entes não reconhecidos. Após o cessar-fogo de 1994, o Artsaque manteve o controle da maior parte de Nagorno-Karabakh e de áreas vizinhas até 2020, quando um novo conflito, com duração aproximada de seis semanas, levou à recuperação, pelo Azerbaijão, da maior parte dos territórios perdidos na década de 1990, conforme os termos de um novo acordo de cessar-fogo mediado pela Rússia. Embora o Artsaque tenha adotado oficialmente sua própria moeda, o dram artsaque, esta teve circulação limitada, sendo amplamente substituída no cotidiano pelo dram armênio. Em 2004 foram emitidas as únicas duas cédulas da República do Artsaque, nos valores de 2 e 10 drams artsaques, ambas ricamente decoradas com símbolos e motivos cristãos, como o exemplar apresentado nesta cédula.

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