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1000 Pesos Bolivianos – 1982 – Bolívia

  • awada
  • 10 de mar. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 5 de dez. de 2025

Entre a glória e o esquecimento: A vida de Juana Azurduy.




A figura retratada nesta cédula tem uma trajetória que parece saída de um romance épico. Juana Azurduy de Padilla (1780–1862) foi uma das mais notáveis combatentes das guerras de independência do Alto Peru, região que hoje corresponde à Bolívia, e cuja luta se inseriu no amplo processo de emancipação da América Espanhola entre 1808 e 1829. De origem mestiça, filha de pai espanhol e mãe indígena, nasceu em Chuquisaca, atual Sucre, então parte do Vice-Reino do Rio da Prata. Ainda jovem, Juana envolveu-se no ambiente intelectual e político da época, influenciada pelas ideias reformistas e pelas rebeliões indígenas, especialmente a de Túpac Amaru II. Em 1810, casou-se com o patriota Manuel Ascencio Padilla e, juntos, aderiram aos movimentos revolucionários do Alto Peru. Rapidamente o casal se tornou uma referência da resistência. Eles lideraram as chamadas “republiquetas”, focos guerrilheiros que sustentaram a luta independentista durante anos. Após a captura e morte de Padilla em 1816, Juana continuou combatendo com determinação extraordinária. Nesse mesmo ano, após liderar uma carga de cavalaria feminina, as célebres “amazonas”, ela recebeu o título de Tenente-Coronel do Exército das Províncias Unidas do Rio da Prata, uma distinção rara para uma mulher na época. Em 1825, durante sua passagem pelo recém-independente território boliviano, Simón Bolívar visitou Juana. Impressionado com sua pobreza e com o sacrifício demonstrado ao longo da guerra, concedeu-lhe uma pensão e confirmou oficialmente seu posto militar. Décadas depois, mudanças políticas levaram à suspensão de sua pensão em 1857. Juana viveu seus últimos anos em extrema dificuldade e morreu aos 81 anos, sendo enterrada em uma vala comum. Um século após sua morte, em 1962, seus restos mortais foram exumados e transferidos para um mausoléu construído em sua homenagem na cidade de Sucre, onde hoje é celebrada como heroína nacional da Bolívia e símbolo da participação feminina nas guerras de independência.

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