1000 Lire– 1982 – Itália
- awada
- 31 de jul. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 21 de jan.
Marco Polo: Graças a ele a Europa Medieval voltou seus olhos para a Ásia.


Marco Polo (1254–1324) foi o lendário aventureiro veneziano que percorreu vastas regiões da Ásia e passou cerca de duas décadas a serviço do imperador mongol Kublai Khan. Ao lado de seu pai, Niccolò, e de seu tio, Matteo, esteve entre os primeiros ocidentais a viajar ao longo da clássica Rota da Seda. Quando partiram de Veneza, em 1271, Marco tinha apenas 17 anos. Ao longo da jornada, o trio percorreu cerca de 24 mil quilômetros, atravessando territórios então exóticos e praticamente desconhecidos para a maioria dos europeus. Quando retornaram a Veneza, 24 anos depois, foram recebidos com incredulidade: muitos compatriotas acreditavam que já estivessem mortos, e alguns sequer os reconheceram. Pouco depois, durante a guerra entre Veneza e Gênova, Marco Polo foi capturado e encarcerado em Gênova. Na prisão, passou a narrar suas aventuras a um companheiro de cela, Rustichello de Pisa, escritor por acaso e ouvinte atento. A partir desses relatos surgiu As Viagens de Marco Polo, uma das obras mais célebres da literatura de viagens. O livro apresentou aos europeus as maravilhas da China, de sua capital Beijing (atual Pequim), e de inúmeras outras cidades e regiões da Ásia. A obra exerceu profunda influência sobre gerações de viajantes e exploradores, inspirando nomes como Cristóvão Colombo e Vasco da Gama, além de ter contribuído para o avanço da cartografia europeia, servindo de base para o famoso mapa-múndi do monge veneziano Fra Mauro, publicado em 1450. Apesar dos exageros, omissões, erros e até apropriações atribuídos ao texto, a maioria dos historiadores modernos aceita como verídica a viagem de Marco Polo à China. Ao mesmo tempo, o livro também pode ser lido como uma peça de propaganda de seu tempo, ao retratar costumes orientais como aberrações ou imoralidades e enfatizar a suposta superioridade ocidental em tecnologia, modo de vida e religião cristã. Ainda assim, visto a partir do século XXI, quando viajar o mundo é algo relativamente banal — e muitas vezes controverso —, torna-se difícil dimensionar a ousadia de Marco Polo. Seu feito extraordinário não foi apenas atravessar continentes, mas construir uma ponte duradoura entre mundos desconhecidos, ampliando de forma irreversível o horizonte geográfico e cultural da Europa medieval.


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