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100 Togrog – 1955 – Mongólia

  • awada
  • 6 de set. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 28 de jan.

Damdin Sükhbaatar: O herói vermelho da Mongólia.



Para algumas nações, a imagem de um indivíduo acaba por se confundir com a própria identidade nacional. Assim como Lenin é imediatamente associado à União Soviética e Mao Zedong à China, a figura de Damdin Sükhbaatar (1893–1923), retratada nesta cédula — embora pouco conhecida fora da Mongólia — está profundamente ligada à fundação do Estado mongol moderno de orientação socialista. A Mongólia Exterior fazia parte da dinastia Qing da China Imperial até o colapso desse regime em 1911. Com a queda da dinastia, a região proclamou sua autonomia sob a liderança do Bogd Khan, formando o chamado Canato (estado liderado por um cã - um líder tribal) da Mongólia. Em 1915, um acordo entre a Rússia czarista e a recém-criada República da China reconheceu a Mongólia como uma região autônoma sob soberania chinesa, situação ambígua que se mostraria instável. Em 1912, Sükhbaatar foi incorporado ao exército da Mongólia Autônoma e recebeu formação militar sob a orientação de instrutores russos, ascendendo ao posto de oficial. Com o início da Guerra Civil Russa em 1917–1918 e o enfraquecimento da influência russa na região, o exército chinês reocupou a Mongólia em 1919, dissolvendo seu exército e encerrando sua autonomia. Nesse contexto, Sükhbaatar fundou um grupo revolucionário nacionalista e se uniu a outras organizações clandestinas, que em 1920 dariam origem ao Partido Popular da Mongólia, com apoio direto dos bolcheviques russos. Durante a Revolução Mongol de 1921, Sükhbaatar destacou-se como comandante do Exército Popular da Mongólia, liderando a tomada da capital Niislel Khüree das forças chinesas e dos russos antibolcheviques. Posteriormente, a cidade seria rebatizada como Ulaanbaatar, que significa “Herói Vermelho”, em referência a Sükhbaatar. Após a expulsão das forças estrangeiras, foi estabelecido um governo popular revolucionário, no qual Sükhbaatar assumiu o cargo de ministro do Exército. A República Popular da Mongólia seria proclamada oficialmente apenas em 1924, após a morte do Bogd Khan, já sob forte influência soviética. Embora formalmente independente, a República Popular da Mongólia tornou-se, na prática, um Estado satélite da União Soviética, condição que perdurou até a revolução democrática de 1990. Em 1923, com apenas 30 anos, Sükhbaatar morreu de causas que permanecem até hoje não totalmente esclarecidas. Apesar de diversos líderes revolucionários terem participado da fundação do novo regime, apenas alguns mantiveram reconhecimento duradouro, enquanto outros caíram em descrédito durante as disputas internas do partido. Sükhbaatar, contudo, destacou-se como a figura cuja reputação não apenas sobreviveu, mas se ampliou com o tempo. A historiografia oficial mongol frequentemente exagera suas realizações e minimiza ou ignora o papel de seus contemporâneos. Ainda assim, independentemente dos ajustes e distorções da memória histórica, Sükhbaatar permanece, até hoje, o herói nacional da Mongólia.

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