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100 Rials – 1976 – Irã

  • awada
  • 16 de set. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 30 de jan.

O fim da dinastia Pahlavi pró-ocidente e a ascensão dos aiatolás anti-ocidente.



Não é incomum encontrar, em cédulas bancárias, retratos de governantes acompanhados de membros de suas famílias, especialmente em monarquias. Esse padrão ainda pode ser observado atualmente em países como Tailândia e Butão, onde a figura do rei aparece com frequência ao lado de seus antecessores, da rainha, da rainha-mãe ou dos príncipes herdeiros. Esse também é o caso desta cédula iraniana, emitida em comemoração aos 50 anos da Dinastia Pahlavi, na qual pai e filho são retratados juntos. Trata-se dos dois últimos monarcas do Irã: Reza Xá Pahlavi (1878–1944), que governou entre 1925 e 1941, e seu filho Mohammad Reza Xá Pahlavi (1919–1980), no poder de 1941 até 1979. A ascensão de Reza Xá marcou o início do Irã moderno, país que até então era internacionalmente conhecido como Pérsia, denominação cujo abandono ele próprio determinou ao solicitar que os diplomatas estrangeiros passassem a utilizar o nome Irã. Chegando ao poder em 1925, Reza Xá governou de forma autoritária e empregou os impostos e as receitas provenientes do petróleo em um ambicioso programa de modernização nacional. Muitas de suas decisões repercutem até hoje, especialmente o decreto de 1936 que proibiu o uso do chador — a longa veste negra tradicional — e impôs às mulheres a obrigatoriedade de circular em público com os cabelos descobertos. Medidas semelhantes foram aplicadas aos homens, que passaram a ser obrigados a adotar trajes de estilo ocidental, o que gerou forte resistência em setores mais conservadores da sociedade. Embora o Irã tenha declarado neutralidade durante a Segunda Guerra Mundial, tal posição não foi suficiente para dissipar os temores dos Aliados quanto a um possível fornecimento de petróleo iraniano à Alemanha nazista. Em 1941, forças britânicas e soviéticas invadiram o país e forçaram Reza Xá a abdicar em favor de seu filho. No pós-guerra, Mohammad Reza Xá lançou a chamada Revolução Branca, um amplo conjunto de reformas econômicas, sociais e políticas cujo objetivo declarado era transformar o Irã em uma potência moderna. Entre essas medidas estavam a reforma agrária, a nacionalização de determinados setores industriais e a concessão do direito de voto às mulheres. No entanto, essas transformações acabaram por alimentar uma crescente oposição interna, liderada sobretudo por setores do clero xiita, de orientação conservadora e fortemente antiocidental. Em 1979, a intensificação da crise política culminou em uma revolução que obrigou Mohammad Reza Xá a deixar o país. Pouco depois, a monarquia iraniana foi oficialmente abolida e o Irã proclamado uma república islâmica, sob a liderança do aiatolá Ruhollah Khomeini (1902–1989). O filho mais velho do último xá, o príncipe herdeiro Reza Pahlavi, vive atualmente nos Estados Unidos, de onde atua como uma das principais vozes da oposição monarquista iraniana no exílio.

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