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1 Hrivni – 2014 – Ucrânia

  • awada
  • 12 de mar. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 8 de dez. de 2025

De Vladimir para Vladimir: mais de mil anos separando um batismo de uma invasão!




Vladimir I, “O Grande” (c. 958–1015), retratado nesta cédula, foi um dos governantes mais influentes da Rus’ de Kiev, o primeiro grande estado eslavo oriental que floresceu entre os séculos IX e XI e que forneceu raízes históricas aos atuais povos da Ucrânia, Rússia e Bielorrússia. A consolidação da Rus’ de Kiev remonta ao final do século IX, e cerca de um século depois Vladimir entrou em cena em meio a uma disputa violenta pela sucessão após a morte de seu pai, o príncipe Sviatoslav. Derrotado inicialmente, refugiou-se entre os vikings da Escandinávia, onde reuniu uma força de guerreiros. Retornou por volta de 978, conquistou Kiev e expandiu seu domínio pelas regiões eslavas orientais. Crônicas antigas narram que, após firmar seu poder, Vladimir passou a questionar o valor dos antigos cultos pagãos. A lenda atribui a ele a decisão de enviar emissários para examinar as grandes religiões da época — o islamismo, o judaísmo e o cristianismo — em busca da fé ideal para seu povo. Ao ouvir que o Islã proibia o consumo de álcool, teria exclamado: “Beber é a alegria dos russos; sem isso não podemos existir.” Ao consultar representantes judeus, teria concluído que um povo que perdera Jerusalém não poderia contar com a proteção divina. As práticas cristãs ocidentais também não o convenceram, mas seus emissários ficaram profundamente impressionados com a majestade das liturgias bizantinas em Constantinopla, relatando que ali “não sabiam se estavam no Céu ou na Terra”. A decisão seguiu naturalmente para o cristianismo de rito grego. Vladimir foi batizado em 988, casou-se com Ana Porfirogênita, irmã do imperador bizantino, e ao retornar a Kiev ordenou a destruição dos santuários pagãos e iniciou um amplo processo de cristianização da população. Sob seu governo consolidou-se a Igreja Ortodoxa nas terras eslavas orientais, e sua figura passou a ser lembrada como a de um governante que transformou profundamente a vida política, cultural e espiritual de seu povo. E, claro, a história é cheia de ironias. O Vladimir medieval, o Grande, introduziu uma nova fé em Kiev; o Vladimir moderno, o Putin, prefere introduzir “novas realidades geopolíticas” com tanques. Um trouxe batismos, o outro, invasões. Mas ambos, cada um à sua maneira, souberam transformar ambições políticas em narrativas grandiosas, porque, pelo visto, certos Vladimires nunca perdem o talento para tentar moldar o destino dos povos… e a própria História.

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