top of page

1 Dinar – 1975-92 – Jordânia

  • awada
  • 24 de dez. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 30 de jan.

Jerusalém e o Islã: Origem e consolidação de um vínculo religioso.



As mesquitas do Domo da Rocha e de Al Aqsa, ambas retratadas nesta cédula jordaniana, localizam-se no centro de um dos espaços religiosos e políticos mais sensíveis do mundo, frequentemente associados a tensões entre palestinos e israelenses e, por vezes, instrumentalizados em discursos extremistas. O local onde se encontram, em Jerusalém Oriental, é conhecido pelos judeus como Monte do Templo e pelos muçulmanos como Haram al-Sharif (Nobre Santuário). Trata-se de um espaço sagrado para judeus, cristãos e muçulmanos. Para o Islã, Jerusalém é considerada o terceiro lugar mais sagrado, depois de Meca e Medina. Surge então a questão: como explicar essa importância, se Jerusalém não é mencionada explicitamente no Alcorão? A base dessa sacralidade encontra-se em uma passagem do livro sagrado islâmico que relata a chamada Viagem Noturna (al-Isrá wa al-Mi‘raj). Segundo o versículo 17:1, Maomé foi conduzido, em uma única noite, da “Mesquita Sagrada” (al-Masjid al-Haram), em Meca, até a “mesquita mais distante” (al-Masjid al-Aqsa). O texto corânico não especifica a localização dessa “mesquita mais distante”, mas a tradição islâmica posterior identificou esse local com Jerusalém. De acordo com os relatos tradicionais (hadiths), a viagem de Maomé teria sido realizada sobre Buraq, uma criatura mítica alada, geralmente descrita como semelhante a um cavalo ou mula. A partir desse local, Maomé teria ascendido aos céus, onde recebeu as revelações divinas. Ainda segundo a tradição, o Alcorão foi revelado ao profeta pelo anjo Gabriel ao longo de vários anos, entre cerca de 610 d.C. e 632 d.C. Do ponto de vista histórico, não há registros confiáveis de que Maomé tenha deixado a Península Arábica. Quando regiões próximas ao Levante são mencionadas no Alcorão, elas aparecem de forma indireta, frequentemente descritas como “terras abençoadas” ou “terras vizinhas”. Na época de Maomé, Jerusalém ainda não estava sob domínio muçulmano, o que só ocorreria após a conquista da cidade pelo califado em 638 d.C. A associação explícita e definitiva de Jerusalém como o local da ascensão celestial do profeta consolidou-se algumas décadas depois, durante o governo da dinastia omíada. Foi nesse período, entre o final do século VII e o início do VIII, que foram construídos o Domo da Rocha (691–692) e a Mesquita de Al Aqsa. Os omíadas, que governavam um vasto império a partir de Damasco, procurando trazer a fé islâmica para mais perto deles promoveram Jerusalém como um importante centro religioso, incorporando-a simbolicamente à geografia sagrada do Islã. Ao mesmo tempo, o local abrigava vestígios profundamente sagrados para o Judaísmo — especialmente o sítio do Segundo Templo, o lugar mais sagrado da religião judaica — e era igualmente relevante para o Cristianismo. Por essa sobreposição de significados religiosos e históricos, a área foi, e continua sendo, um foco permanente de tensões e conflitos, desempenhando papel central no conflito israelense-palestino até os dias atuais.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page